Ubi Veritas

ALGUMA INSPIRAÇÃO
Pontos de luz branca
Velam a noite
Desnudam alpendres
Parem sombras
e duendes

Ouço-os gritar...

Chamamento febril
de que não ousamos falar

Salomé Castro in Ubi Veritas

Uma estória espremida de um sonho de Ondjaki

ANÁLISE LITERÁRIA - Infantil

«Ynari a menina das cinco tranças» é um livro escrito com o coração. Essa certeza está na intenção e nas palavras. "Para escrever uma estória como esta, eu tive de espremer um sonho" – diz Ondjaki, o autor.
Talvez um sonho onde a grandeza e significado da palavra PAZ ilumine o coração dos homens. É esta a sabedoria que mora neste livro. A pequena Ynari personifica a inocência mas também a esperança. Ela dá as suas cinco tranças para alcançar um mundo melhor – uma troca que lhe parece justa. É essa a sua magia.
«Ynari a menina das cinco tranças» é uma obra sensível e original. Transporta o leitor para um universo onde magia e realidade se tocam, soltando contextos férteis em significados.
Oferece-se aos mais jovens leitores, mas carrega a condição que define uma excelente obra de literatura infantil: também o leitor adulto encontra nela a essência que renuncia a uma escancarada redundância e se oferece em inteligência.
Danuta Wojciechowska empresta o seu reconhecido talento de ilustradora. Os tons quentes de África tornam o livro ainda mais apelativo.

Esta obra, recomendada pelo Plano Nacional de Leitura para o 4.º ano de escolaridade (leitura autónoma e/ou a leitura com apoio do professor ou dos pais), tem chancela da Editorial Caminho. Tem 48 páginas e está à venda por 10,60 euros.

O AUTOR
Ondjaki nasceu em Luanda, em 1977. Licenciado em Sociologia, interessa-se também pelo teatro e pelo cinema. Publicou contos, poesia e romances. No ano 2000 recebeu uma menção honrosa no Prémio António Jacinto (Angola) pelo livro de poesia “Actu Sanguineu”.

A ILUSTRADORA
Danuta Wojciechowska recebeu o Prémio Nacional de Ilustração 2003. Foi a candidata portuguesa ao Prémio Hans Christian Andersen 2004. Nasceu no Québec (Canadá) em 1960 e é licenciada em Design de Comunicação. Vive e trabalha em Lisboa.

Ubi Veritas

ALGUMA INSPIRAÇÃO
Barras de ferro
Pedras desenhadas
Espinhos encastrados
Odor embalsamado

O castigo espreita
Mói e ensurdece
Aprisionado na palidez do tempo

A gravata não mais oprime
O aroma dos malmequeres não mais liberta

Recolho-me em posição fetal

Salomé Castro in Ubi Veritas

Prontuário da Língua Portuguesa para crianças e jovens

SUGESTÃO AVENTURADA

«Sempre Certo! - Prontuário da Língua Portuguesa» destina-se aos alunos dos 1.º e 2.º ciclos do Ensino Básico. Para a concepção desta obra contei com a colaboração de Lúcia Pereira (co-autora), João Carlos Matos (revisor científico) e Marta Martins (ilustradora).
Nos capítulos «Funcionamento da Língua» e «Classes de Palavras» apresentam-se conceitos e princípios fundamentais da língua, através de um discurso simples e directo, que introduz exemplos para as várias situações abordadas.
«Especificidades da Língua» ensina e esclarece as dúvidas e confusões mais frequentes, apostando também na exemplificação e numa estrutura funcional e apelativa cujo objectivo é a apreensão imediata da explicação clarificadora.
Visando a ampliação do vocabulário dos seus utilizadores, está contemplado o capítulo «Vocabulário» que apresenta as principais palavras onomatopaicas, bem com as siglas e acrónimos, termos informáticos, topónimos e gentílicos mais comuns.
«Sempre Certo!» favorece, ainda, a consolidação da ortografia definida pelo Acordo Ortográfico de 1990 ao introduzir e contextualizar as inovações inerentes, nomeadamente, a introdução das letras k, w e y no alfabeto; as modificações no uso de maiúsculas e minúsculas no início das palavras; a supressão de consoantes mudas ou não articuladas; as alterações na acentuação gráfica; e as alterações à utilização do hífen.
Tem 168 páginas e está conforme o Dicionário Terminológico e o Novo Acordo Ortográfico. O selo é da Editora Educação Nacional. Custa 8,90€.

Coincidências ou talvez não...

ANÁLISE LITERÁRIA - Juvenil

«O Mistério do Quadro Desaparecido» é um livro temperado com aventura q.b. Personagens intrigantes, puzzles e códigos, pistas aparentemente desconexas, cartas enigmáticas, estranhos acontecimentos, misteriosas coincidências... ditam um enredo que se adivinha cativante para o público jovem.

Muito embora a tradução não mereça a melhor classificação e, por diversas vezes, comprometa o contexto correcto e o ritmo da leitura, no global, esta obra tem ingredientes capazes de prender a atenção do leitor. Uma maior dose de objectividade em detrimento de uma excessiva vertente fantasiosa, asseguraria, contudo, um maior envolvimento.

Calder Pillay e Petra Andalee são os "detectives" de serviço. Têm 12 anos e frequentam o 6º ano na Escola da Universidade de Chicago. Na sequência do roubo de um quadro de Vermeer, Calder e Petra envolvem-se num enredo perturbador. A narrativa vai deixando pistas essenciais para a resolução do mistério. Ao leitor "pede-se" atenção e perspicácia.

Refira-se, contudo, que não lhe assenta na perfeição o rótulo de "O Código da Vinci da literatura infanto-juvenil" – consideração tecida pela revista americana "Newsweek" e da qual a editora se serve para promover o livro. Ficção e “realidade” fundem-se com alguma perícia na busca de uma verdade: a resolução do misterioso desaparecimento. Porém, embora bem escrito, a coerência da fundamentação é, por vezes, frágil.

Escrito por Blue Balliett (nascida em Nova Iorque; formada em História da Arte pela Universidade de Brown) e com ilustrações de Brett Helquist (nascido em Gonado, Arizona; formado em Belas-Artes), este livro tem chancela da Editorial Presença e integra a colecção «Estrela do Mar». Tem 184 páginas. Está à venda por 8,08 euros.

Uma curiosa nota final para os potenciais leitores: no nome da autora, no nome da colecção e na palavra "desaparecido” há uma coincidência que pode ajudar a encontrar o padrão que desvenda o mistério... Boa leitura!

Essência, subtileza e vivacidade com… Elvis Presley

ANÁLISE LITERÁRIA


«Elvis», de Taï-Marc Le Thanh, é um álbum narrativo que recria, ficcionalmente, o percurso de Elvis Presley, particularmente a sua infância e juventude, dando conta da sua condição humilde, da relação com a família e com a região do Mississipi.
As ilustrações, com o traço singular e poético de Rébecca Dautremer, revelam o “Rei do Rock” num ambiente carregado de expressão e intensidade.

Os pais de Elvis eram muito pobres. Para celebrar o décimo aniversário do filho, o pai ofereceu-lhe uma guitarra. A primeira vez que tocou foi para consolar a mãe, que chorava. Compreendeu, então, o enorme poder da música. Numa noite em que actuava num bar, notou que uma jovem o escutava. O seu nome era Priscilla. Elvis teve vontade de escrever para ela a mais bela das canções de amor. Mas, acerca do amor ele nada sabia. Foi então que comprou um Cadillac rosa e partiu em busca de inspiração…

Um livro delicioso. Ao sabor do folhear, cada nova página motiva um profundo suspiro… como se o leitor se preparasse para absorver a sua essência, subtileza e vivacidade.

Taï-Marc Le Thanh é designer gráfico freelance desde 1995, nas áreas de imprensa, edição e multimédia. É também autor de literatura infantil e colabora regularmente com Rébecca Dautremer, com quem é casado. Vive em França.
Rébecca Dautremer formou-se em edição gráfica, função que conjuga com a ilustração. É uma das ilustradoras mais reconhecidas da actualidade. Destaque, também, para a sua recente incursão no mundo cinema de animação com o filme «Kerity – La Maison des Contes» (http://kerity-lefilm.com/site.php). O seu site oficial: http://www.rebeccadautremer.com/

«Elvis» tem chancela da Editora Educação Nacional. Trata-se de um livro de grande formato, com capa dura. Tem 42 páginas e está à venda por 20,09€.

Ubi Veritas

ALGUMA INSPIRAÇÃO

Postura de canino catando piedade
Canastra velha em telhado grisalho
Caracóis de Outono em espelho vincado
Xaile negro de exposto adeus
Mãos em concha amarelecida
Unhas pintadas de pó
Pó, tão breve

Salomé Castro in Ubi Veritas

Astrologia e numerologia para adolescentes

ANÁLISE LITERÁRIA - Juvenil

Se os traços de personalidade atribuídos a cada um dos doze signos podem ser identificados através de um guia astrológico, também os números podem ajudar a compreender melhor as capacidades de cada um. A teoria dos astros é defendida pelos autores Reina e Mike Reinstein. A argumentação a favor dos números cabe a Theresa Cheung.
Duas obras distintas que vão ao encontro dos anseios, dúvidas e expectativas típicas das adolescentes. As temáticas e respectivos sub-temas são apresentados de forma ligeira e com um grafismo apelativo e de fácil consulta.
«A Culpa não é Minha, é dos Astros!» (Editorial Presença), da colecção «Clube das Amigas», explica como cada pessoa, em função do seu signo, se comporta no amor, na amizade, na vida em família e até nas actividades escolares. Além disso, vinca a ideia de que o conhecimento dos signos de outras pessoas e correspondentes personalidades pode ajudar nos relacionamentos: Se souberes o signo daquele príncipe encantado que conheceste na semana passada, podes ficar a saber como ele é, quais os seus gostos e, ainda mais importante, o que ele mais aprecia numa rapariga!
«Fantástica Numerologia. Descobre o que os números revelam sobre ti!» (Editorial Estampa), da colecção «Fantástica», apresenta os números como códigos secretos capazes de revelar a verdadeira essência de cada um, as capacidades ocultas e até o futuro: A tua data de nascimento, o número da casa onde vives e mesmo o número do teu telemóvel – todos eles revelam histórias surpreendentes sobre ti! A numerologia pode dar-te a conhecer a tua verdadeira essência, as tuas capacidades ocultas e até o teu futuro, ajudando-te, ainda, a melhor compreender as pessoas que te rodeiam.
«A Culpa não é Minha, é dos Astros!» tem 188 páginas e está à venda por 7,07€. «Fantástica Numerologia. Descobre o que os números revelam sobre ti!” tem 128 páginas e custa 5,05€.

Alice Vieira e Mingote juntos por D. Quixote

ANÁLISE LITERÁRIA – Infantil


Em 2005, ano em que se comemoraram os 400 anos sobre a edição do romance de Miguel de Cervantes, as Publicações Dom Quixote editaram "O Meu Primeiro Dom Quixote", traduzido do castelhano por Alice Vieira e ilustrado pelo humorista espanhol Mingote.
Nesta obra (recomendada pelo PNL para o 2º ano de escolaridade), os mais jovens leitores são convidados a embarcar numa viagem ancorada no sonho.
O escanzelado cavaleiro andante e seu fiel e roliço escudeiro Sancho Pança rumam para aventuras mil, guiados pela ânsia de honrosos gestos e pelejas.
O nobre herói visionário, que protagoniza um dos romances mais cómico-trágicos de todos os tempos, faz parte do imaginário colectivo. "D. Quixote de La Mancha" é uma obra que atravessa o tempo, intocável. A essência da narrativa de Cervantes encerra a grandeza de poder ser absorvida por pequenos e graúdos, providenciando encantamentos mais simples ou mais complexos.
As aventuras do fidalgo D. Quixote foram editadas em Portugal, pela primeira vez, a 26 de Fevereiro de 1605. Desde então, este romance, que marcou gerações de autores e leitores, conheceu variadíssimas edições.
"O Meu Primeiro Dom Quixote" (13 euros) resgata os momentos-chave da obra e reconstrói, em passos largos, a história do louco e sonhador cavaleiro andante.
Poeta e dramaturgo, Cervantes (1547-1616) viveu, à semelhança da sua personagem, uma vida repleta de erros, reveses e aspirações por concretizar. Natural de Alcalá de Henares, Espanha, pensa-se que terá iniciado a escrita deste romance numa das vezes em que foi preso por questões financeiras. Em 1615 editou a segunda parte do romance.

Entre Pássaros e o Mar

PALAVRAS COM ALMA
Porque ao longe
se cala o mar
e o ar avermelha
as linhas indistintas do horizonte

Porque os meus olhos
em ti se demoram
serenos
e os céus nos fitam suspensos

Porque juntos
palpamos a espuma breve
nunca mais invocarei
a inclemência dos caminhos

Maria Albertina Mitelo in Entre Pássaros e o Mar, Edições Afrontamento

“A leitura é uma escada feita à tua medida”, argumenta José Jorge Letria

ANÁLISE LITERÁRIA - Infantil
José Jorge Letria é autor de quase uma centena de livros, muitos dos quais destinados a crianças. Também poeta, jornalista e letrista, tem visto os seus trabalhos serem premiados em Portugal e no estrangeiro.
"Versos para os Pais lerem aos Filhos em Noites de Luar" e "Porta-te Bem!" são dois dos títulos que autor publicou pela Ambar.
O primeiro carrega consigo a cor de uma noite de luar. Um livro envolto pela escuridão, mas onde, em cada página, a luz da lua cede lugar ao brilho das palavras. São versos recheados de ternura e imaginação e polvilhados de sonho e afecto. Cruzam a lembrança do passado com o sabor do futuro. Fazem a ponte entre pais e filhos, entre avós e netos.
"A leitura é uma escada feita à tua medida; cada palavra sonhada, cada palavra aprendida será parente chegada da secreta melodia que na boca de quem lê tem nome de Poesia", argumenta José Jorge Letria nas derradeiras palavras do livro.
A par da poesia do autor está a ilustração de André Letria. São desenhos que recriam o universo retratado em cada novo poema; objectos em grande plano, mas que parecem pairar sobre a noite – talvez apenas tenuemente iluminados pela luz da lua e das estrelas.
"Versos para os Pais lerem aos Filhos em Noite de Luar" integra a colecção Sonhos a Cores e está à venda por 13 euros.

NADA DE ASNEIRAS!
"Porta-te Bem!" é um livro bem diferente. Mais enérgico e directo, este título é inquestionavelmente pedagógico (além de muito divertido e ritmado). Em forma de poesia, José Jorge Letria ensina às crianças os comportamentos mais adequados para "não voltar a fazer asneiras".
"Mãozinhas bem lavadas", "Cuida bem dos dentes", "Bons modos à mesa", "Saber dar o lugar", "Bom dia, por favor, perdão", "Mentir é muito feio", "Evita roer as unhas", "Leva o cão a passear", são alguns dos conselhos desenvolvidos no livro.
"Há coisas que nos distinguem do reino dos animais e uma boa educação nunca há-de estar a mais", sustenta o autor.
Joana Quental assina a ilustração da obra. São desenhos bem próximos do mundo de cor e traços incertos que preenche as manifestações das crianças. Rasgos de cor, manchas soltas de tinta, riscos e rabiscos, conferem uma intensa vitalidade ao livro.
"Porta-te Bem!" faz parte da colecção Biblioteca José Jorge Letria e está à venda por 11 euros.

Talento e mestria de Urbano Tavares Rodrigues

ANÁLISE LITERÁRIA
Urbano Tavares Rodrigues, professor e escritor, tem garantido uma produção literária notável. A sua extensa obra, que abarca vários géneros, já foi contemplada com distintos prémios e está traduzida em diversas línguas. É um dos escritores vivos mais relevantes da literatura portuguesa.
A obra "A Flor da Utopia" foi editada em 2003 - ano em que o autor comemorou 80 primaveras. Com chancela das Edições ASA, o livro revela - sem surpresas - o talento e a mestria de um grande escritor.
Descrições que são o registo de uma imaginação plena de audácia dão corpo a esta obra. Na verdade, trata-se de um álbum onde as palavras de Urbano Tavares Rodrigues casam com quinze ilustrações de Rogério Ribeiro. A direcção gráfica é de Armando Alves.
O escritor evoca numa prosa admirável, tantas vezes poética, três momentos revolucionários da História de França, de certo modo fundadores de todas as grandes transformações a que assistiu o Século XX e que se prolongam nos nossos dias: 1848, a Comuna, Maio de 1968. "A Queda das Estátuas", "A Hera Chorando Sangue" e "A Flor da Utopia" intitulam esses três momentos.
Propositadamente para esta obra, Urbano Tavares Rodrigues escreveu um texto autobiográfico, “A Estrada Que Ficou Para Trás” - um testemunho de vida. Palavras na primeira pessoa para revelar um percurso exímio. Impossível ignorar uma frase tão rica: "Uma vida, como um rio, faz-se também de outras vidas, que com ela confluem e lhe trazem alimento, alegria, luz, consciência da realidade" – diz o autor.
Integrando a colecção “O Prazer de Ler, O Prazer de Olhar”, esta obra está à venda por 15 euros.

Ubi Veritas

ALGUMA INSPIRAÇÃO
Quadrados de luz opaca
adivinham cabelos grisalhos
mãos que emprestam cadências
ao mutante discurso cénico
que os olhos irados contemplam

O tom rosa desnudo
de uma récita de odiosa esperança
pulsa no pequeno ficcionista
que expõe a ferrugem da alma
sem piedade ou absolvição

Num palco de grande incandescência
a história incolor de um falso herói
desdenhosamente acena à plateia
e as certezas esboroam-se
por respeito ao pretérito imperfeito

Da encenada vida real


Salomé Castro in Ubi Veritas

Textos interdisciplinares para criança ler e aprender!

ANÁLISE – Infantil/Didáctico
A colecção “Aprendizes à Descoberta”, editada pela Editora Educação Nacional, reúne um conjunto de apelativos textos de literatura infantil que, sabiamente, introduzem os conteúdos programáticos para as áreas de Língua Portuguesa, Matemática, Estudo do Meio e Educação para a Cidadania, do 1º Ciclo do Ensino Básico. Paralelamente aos textos interdisciplinares, cada livro reúne um leque de diversificadas propostas de trabalho, que potenciam o raciocínio, a criatividade e o envolvimento da criança.
Para além dos quatro livros, do 1º ao 4º ano de escolaridade, esta inovadora colecção inclui, para cada ano, o Guia do Professor, que disponibiliza propostas de trabalho em grupo, bem como material de apoio, assumindo-se como uma ferramenta multi e interdisciplinar de apoio à prática pedagógica.
Integralmente produzidos pela agência editorial BookProof, cada um dos livros tem 128 páginas e está à venda por 8,90 euros.

Os dias do Amor - um poema para cada dia do ano

LITERATURA - Lançamento
365 vozes que se erguem em 365 poemas de amor em todas as formas, em várias nacionalidades, um para cada dia do ano. Desde Shakespeare, Hölderlin, Edgar Allan Poe, entre outros, a poetas portugueses contemporâneos como Ramos Rosa, Vasco Graça-Moura, Sérgio Godinho, Alice Vieira, entre muitos outros, unidos para celebrar o Amor.
Com recolha, selecção e organização de Inês Ramos e prefácio de Henrique Manuel Bento Fialho, o livro (436 páginas) está à venda por 14,90 euros.

Um site onde a fotografia é fonte de paixão!

SUGESTÃO AVENTURADA
Mergulhe na beleza e sensibilidade de http://www.adrifil.net/ – um site onde a fotografia é fonte de paixão!
Na galeria de fotografias, os temas são diversos: animais, monumentos, paisagens… São instantes, situações e locais que os seus autores vão registando e partilhando.
Lugar, ainda, para uma secção de “escritos”: textos sobre técnicas simples de fotografia que ajudam a melhorar o resultado final de uma foto.
E, por fim, um blog onde a dupla “adrifil” destaca as suas fotos mais recentes, disponibiliza notícias do mundo da fotografia, informações acerca de concursos, apresentação de novos equipamentos e, ainda, links para outros sites igualmente interessantes.
Livraria Lello & Irmão
“O actual edifício foi inaugurado em 1906 mas o início da história desta livraria do Porto (Portugal), de estilo neogótico, remonta a 1869.
Em 2008 a Livraria Lello & Irmão foi considerada pelo jornal inglês ‘The Guardian’ a terceira mais bela do mundo.”

Contos tradicionais para os mais jovens leitores

ANÁLISE LITERÁRIA - Infantil

"Os Macacos" e "O Cego e o Mealheiro" integram a colecção Contos do Arco da Velha, editada pela Ambar. São histórias tradicionais portuguesas recontadas em versos simples, altamente sintéticos e apelativos. Maria Teresa dos Santos Silva, professora e tradutora de vários livros infantis, assina os textos. Ao ritmo das palavras junta-se a energia das ilustrações, providenciadas por José Miguel Ribeiro - autor do premiado filme de animação "A Suspeita". Cada exemplar custa 7,35 euros.
Filosofia idêntica se aplica à colecção "Novos Ilustradores", onde contos tradicionais portugueses surgem recontados pelo jornalista e escritor José Viale Moutinho. Textos simples que asseguram uma fácil memorização das narrativas, juntam-se ao talento criativo de diferentes ilustradores. "A Sopa de Pedra" tem ilustrações de Inês de Oliveira e "O Moço de Cego" revela o traço de Nuno Fisteus. Editados pela Campo das Letras, estes dois exemplares estão à venda por 5,29 euros.

Segredo

PALAVRAS COM ALMA

Esta noite morri muitas vezes, à espera
de um sonho que viesse de repente
e às escuras dançasse com a minha alma
enquanto fosses tu a conduzir
o seu ritmo assombrado nas trevas do corpo,
toda a espiral das horas que se erguessem
no poço dos sentidos. Quem és tu,
promessa imaginária que me ensina
a decifrar as intenções do vento,
a música da chuva nas janelas
sob o frio de fevereiro? O amor
ofereceu-me o teu rosto absoluto,
projectou os teus olhos no meu céu
e segreda-me agora uma palavra:
o teu nome - essa última fala da última
estrela quase a morrer
pouco a pouco embebida no meu próprio sangue
e o meu sangue à procura do teu coração.

Fernando Pinto do Amaral in Poesia Reunida 1990-2000 (Dom Quixote)

Como investir o dinheiro em tempos de crise?

SUGESTÃO AVENTURADA

A editora Esfera dos Livros vai promover, no próximo dia 12 de Fevereiro (quinta-feira), a conferência “Como investir o dinheiro em tempos de crise”.
O orador principal é Aitor Zárate, autor dos livros “O que os ricos sabem e não contam” e “Mexe o teu dinheiro e enriquece em tempos de crise” (à venda a partir do próximo dia 5 de Fevereiro). Conhecido especialista em fiscalidade e formador da reputada ESIC - Escuela Superior de Ingenieros Comerciales, em Madrid, Zárate irá deixar alguns conselhos práticos sobre como investir o dinheiro em alturas difíceis.
A conferência terá lugar na sala de reuniões do Hotel Fénix (Praça Marques de Pombal - Lisboa). A entrada é livre (os interessados devem confirmar a sua presença enviando um e-mail para
apoio@esferadoslivros.pt/).

Sete pequenas histórias com assinatura de António Torrado

ANÁLISE LITERÁRIA - Infantil


"A Nuvem e o Caracol" é uma proposta da colecção Biblioteca António Torrado. Um livro para partir à descoberta de personagens várias; um livro para saborear. São sete pequenas histórias. Sete convites distintos. Sete refúgios de magia.
António Torrado não desperdiça palavras; os seus textos resultam de fácil digestão… Imagine-se uma refeição ligeira que nos satisfaz a gula!
O imaginário infantil mostra-se límpido, sem sinal de atrofia. São textos para leitores de tenra idade, mas com um conteúdo que refuta expressões demasiado redundantes ou temáticas estupidificantes. Não encerra segredos nem excelência, mas, inquestionavelmente, destila simplicidade.
A ASA publicou a primeira edição de "A Nuvem e o Caracol" em 1979. Trinta anos depois, este título sobrevive sem desgaste.
Para além da história que dá nome ao livro, os restantes portos de abrigo são: "A corneta faladora", "Os homens não entendem a fala dos cães", "Aqui há palhaços", "A ciganinha e o jerico", "O segredo dos búzios" e "Os ursinhos cor de canela". Objectos, animais, pessoas, assumem o papel de protagonistas em relatos onde a imaginação corre sem freio.
Todas as histórias são ilustradas por Maria João Sá. Desenhos coloridos e de traço firme, que deixam transparecer uma desejável doçura.
Com 62 páginas e num formato A5, o livro está à venda por 8,50 euros.

O AUTORAntónio Torrado nasceu em Lisboa (1939), mas tem raízes familiares na Beira Baixa. Poeta, ficcionista, dramaturgo, autor de obras de pedagogia e de investigação pediográfica, é por excelência um contador de histórias, estando muitos dos seus livros e contos traduzidos em várias línguas. A sua bibliografia regista mais de 120 títulos, onde sobressai a produção literária para crianças, contemplada com várias distinções.
Foi jornalista, editor, professor, produtor principal e chefe do Departamento de Programas Infantis da RTP. Actualmente, é Coordenador do Curso Anual de Expressão Poética e Narrativa no Centro de Arte Infantil da Fundação Calouste Gulbenkian. É o professor responsável pela disciplina de Escrita Dramatúrgica na Escola Superior de Teatro e Cinema. É dramaturgo residente na companhia de teatro Comuna em Lisboa.
Segundo o crítico e investigador José António Gomes: Torrado impôs-se como uma das figuras de maior relevo da nossa literatura do pós-25 de Abril e dificilmente se encontrará hoje um autor que, de forma tão equilibrada, saiba dosear em livro o humor, a crítica e os sinais de um profundo conhecimento do imaginário infantil.

Ubi Veritas

ALGUMA INSPIRAÇÃO
Num conto presente
escrito no passado
desponta a essência do futuro
tecida por paixões musicais
que reverberam na respiração
amadurecida pelo desejo


Salomé Castro
in Ubi Veritas

Disquisição na insônia

PALAVRAS COM ALMA


Carlos Drummond de Andrade (1902-1987)
Que é loucura: ser cavaleiro andante ou segui-lo como escudeiro?
De nós dois, quem o louco verdadeiro?
O que, acordado, sonha doidamente?
O que, mesmo vendado, vê o real e segue o sonho de um doido pelas bruxas embruxado?
Eis-me, talvez, o único maluco, e me sabendo tal, sem grão de siso, sou — que doideira — um louco de juízo.

Pequenas grandes sugestões de Natal

ANÁLISE LITERÁRIA - Infantil
“Ó Pai Natal, meu amiguinho, traz-me um mundo de amor”
“Nove Contos de Natal” - Campo das Letras (16,80 euros)
Cidália Fernandes conta "Nove Contos de Natal": “Meu Natal pequenininho”; “A discussão”; “A última carta”; “Dar e receber”; “A estrelinha”; “A rena preguiçosa”; “A melhor notícia”; “Um coração igual ao teu”; “O Natal do Artur”; “A fogueira de Natal”. As ilustrações são de Fedra Santos. Este livro inclui um CD de oferta, onde acrescem músicas de Aníbal José Magalhães.
Inserido na colecção Vamos Ler, este título adequa-se - pela linguagem empregue - aos pequenos leitores já com considerável capacidade de entendimento. “Ó Pai Natal, meu amiguinho/ Traz-me um mundo de amor/ Onde os sorrisos e os abraços/ Possam mitigar a dor” - é um dos versos que acompanha e enriquece a prosa que corre solta neste livro.

É verdade que os sonhos de Natal têm mais sabor
“Sonhos de Natal”Gailivro (17,80 euros)"Sonhos de Natal" não é um doce típico de Natal. Neste caso, trata-se de um lindo (e também doce) livro. Da autoria de António Mota (e com ilustrações de Júlio Vanzeler), esta obra cativa ao primeiro olhar: quase amor à primeira vista. Ao folheá-la o leitor tem a certeza da intensidade desse contacto. A história passa-se num aldeia longínqua onde o Inverno chega mais cedo. Com a chegada das férias de Natal, Manuel e os outros meninos ficam ansiosos. Os preparativos para esta quadra festiva providenciam uma atmosfera harmoniosa. As crianças fazem os seus pedidos ao Menino Jesus. Mas, porque Natal é também tempo de boas surpresas, na noite em que se celebra o nascimento do menino Jesus, o pai de Manuel regressa do Brasil, onde estava emigrado.

Quando os brinquedos também gostam de brincar
“A Pequena Árvore de Natal” - Porto Editora (13,90 euros)
"A Pequena Árvore de Natal" é, inquestionavelmente, um livro de grande qualidade gráfica. Ilustrações em alto relevo (com assinatura de Susanna Ronchi) acompanham uma história carregada de magia, encanto e afectos. Trata-se de um álbum que a cada página desvenda personagens especiais.
"Perto do Pólo Norte, numa terra de gelo e neve, existe uma pequena quinta com uma oficina nas traseiras. É aí que o Pai Natal passa todo o ano a fabricar brinquedos que depois entrega na noite de Natal" - assim começa a história. A surpresa desta narrativa está no facto de, como por magia, os brinquedos nascidos por arte do Pai Natal ganharem vida. É verdade! E, assim, após ficarem prontos vão para o campo brincar até ser hora de subir para o trenó...

Era uma vez uma vaquinha muito solidária
“Certa noite num estábulo...” - Livros Horizonte (11,98 euros)
Numa das colinas de Belém há um estábulo onde uma velha vaquinha espera ansiosa pelo seu dono. Certa noite o vento sopra forte e a vaquinha decide abrigar todos os animais. Haverá ainda lugar no pequeno estábulo para um burro carregado que também vem pedir abrigo?
"Certa noite, num estábulo..." é uma história imbuída do espírito de Natal: solidariedade e ajuda ao próximo. A harmonia entre animais e humanos surge também retratada nesta história protagonizada por uma velha vaquinha e que termina com o louvor a um menino que nas palhas está deitado. Um texto terno, da autoria de Guido Visconti, acompanhado por ilustrações de Alessandra Cimatoribus.

Contos de Natal escritos por Charles Dickens
“Contos de Natal” - Guimarães Editores (14,90 euros)A obra de Charles Dickens permanece como uma referência obrigatória e plena de actualidade sobre a condição humana. "Contos de Natal" é um título que pode ser lido por maiores de oito anos, mas ideal para qualquer idade.
Este volume inclui quatro dos melhores contos de Dickens (tradução de João Costa): o clássico "Um Cântico de Natal", "As Receitas do Dr. Marigold", "Os Sete Caminhantes Pobres" e "As Vozes e os Sinos". Palavras que vincam a sua tese de que todos os humildes e sofredores deveriam ter o direito de alcançar o mínimo de conforto físico e moral. As ilustrações de início de capítulo são da autoria de Helena Simas.

Quem é afinal o senhor das barbas brancas?“O senhor das barbas brancas” - Everest Editora (4,75 euros)
Elsa Serra assina este título da colecção Montanha Encantada. "O senhor das barbas brancas" é uma história que explica aos mais pequenos quem é esse barbudo que, todos os anos, aparece por altura do Natal: onde vive, o que faz, quais os seus segredos mais bem guardados (sabiam que ele tem um baú de onde nascem, todos os anos, prendas para o mundo inteiro?)... enfim, um livro preso à descoberta - até mesmo pelo grafismo adoptado.
Concebido para crianças a partir dos cinco anos, este livro marca diferença pelo intencional desalinho do seu conteúdo. Letras que parecem querer atropelar-se ditam um discurso que vai ganhando coerência à medida que nos vamos aproximando do termo do livro. As ilustrações são de Richard Câmara.

Um Pai Natal triste, cansado e que não consegue sonhar
“Um beijo para o Pai Natal” - Edições Nova Gaia (7,98 euros)
O pequeno Max decidiu encontrar-se com o rei dos brinquedos e dar-lhe um grande abraço. Mas será que o rei dos brinquedos vem até sua casa? Max vai averiguar junto das decorações de Natal e descobre um homem muito, muito velhinho que está a tirar uma soneca no sofá da sua sala. Mas algo está errado? O velhote está triste, cansado e diz que não consegue sonhar. Nada o alegra. Mas, depois de variadíssimas tentativas falhadas e depois de muito pensar, Max descobre o que pode voltar a fazer sonhar o Rei dos Brinquedos... Certo é que acaba mesmo por merecer um beijo do Pai Natal. “Um beijo para o Pai Natal” foi escrito por Elisabeth Coudol. As coloridas ilustrações que dinamizam a história são de Nancy Pierret.

Histórias de tempos remotos que gostamos de guardar
“O Livro do Natal” - Edições ASA (11,50 euros)
A escritora Maria Alberta Menéres escreveu “O Livro do Natal”, onde faz um cruzamento de tempos bem remotos, tempos que sempre cuidamos que passem por nós, tempos que devagarinho vamos guardando reinventados para quem os quiser ler e descobrir. Neste bonito álbum, Maria Alberta Menéres, uma verdadeira especialista em histórias para crianças, leva-nos àqueles tempos que passámos aconchegados à lareira da memória.

Cegueira bendita

PALAVRAS COM ALMA
Ando perdida nestes sonhos verdes
De ter nascido e não saber quem sou,
Ando ceguinha a tatear paredes
E nem ao menos sei quem me cegou!

Não vejo nada, tudo é morto e vago…
E a minha alma cega, ao abandono
Faz-me lembrar o nenúfar dum lago
´Stendendo as asas brancas cor do sonho…

Ter dentro d´alma na luz de todo o mundo
E não ver nada nesse mar sem fundo,
Poetas meus irmãos, que triste sorte!…

E chamam-nos a nós Iluminados!
Pobres cegos sem culpas, sem pecados,
A sofrer pelos outros té à morte!

Florbela Espanca
(1894-1930)

"E você, já leu uma BD hoje?" - Um blog com muita BD!

SUGESTÃO AVENTURADA
A Banda Desenhada é uma arte mais antiga do que o cinema mas não conseguiu até hoje um reconhecimento global semelhante ao deste.
Tirando algumas excepções, como no Japão onde a sua divulgação é massificada mas é também uma leitura descartável, ou em França e na Bélgica onde anda a par com as outras formas de expressão artística, não fosse uma aparição ou outra nos media, quase sempre por associação a um filme, e a fidelização dos seus leitores, quase se podia dizer que a BD, como entidade própria, não existe.
A data “oficial” do seu nascimento é 1896. Foi em Fevereiro desse ano que “Yellow Kid”, publicado no jornal “New York World”, surgiu pela primeira vez com as características que passaram a definir uma BD tal como a conhecemos hoje: narração sequencial através de uma sucessão de quadros (ou quadrinhos); existência de uma personagem principal que se vai mantendo ao longo de uma série; texto inserido em balões que simbolizam a fala ou os pensamentos dos intervenientes da história.
Talvez porque durante muitas décadas esteve associada a temas um pouco infantis e humorísticos (daí o nome “comics” nos países de língua inglesa), os seus leitores são essencialmente crianças e jovens. E quando estes chegam a uma idade mais adulta param de lê-la, se calhar por quererem algo que vá para além dos Tio Patinhas e Super-Homens a que estavam habituados e não encontram alternativas com facilidade..
O objectivo deste blog é incentivar e (re)despertar o gosto pela leitura de BD naqueles que já o fizeram e entretanto desistiram, e também naqueles que nunca a levaram a sério para que vejam que boas histórias e narrativas existem sob várias formas, não tendo de haver uma escolha entre umas e outras. E ainda, claro, falar para os já convertidos apresentando-lhes e sugerindo-lhes algumas escolhas pessoais que talvez lhes tenham passado ao lado.
Se, por um lado, a BD não é um fenómeno de massas, por outro, quantidade e diversidade de obras não lhe faltam. Em papel há milhares de edições onde escolher (não estamos a falar de Portugal, obviamente) e online também não faltam opções.
E você, já leu uma BD hoje?
Reprodução de texto inaugural de http://afilactera.wordpress.com/

Mau gosto. Ou talvez não!

ANÁLISE LITERÁRIA - Infantil
O título "Amor... que nojo!" poderá despertar alguma repulsa. Ou, tão-somente, curiosidade. Será título que se apresente num livro de literatura infantil? Porque não? É ousado, divertido, apelativo e vai ao encontro de uma expressão típica dos mais pequenos. Pensemos naquelas crianças que face à ternura desmedida da avó, do tio, da madrinha... que as enchem de beijos repenicados, reagem, com peculiar naturalidade, limpando o rosto... isto quando não verbalizam: "Blhac!"
Avancemos agora para um miolo de livro igualmente delicioso, embora com muito "Blhac" à mistura. A história versa a insatisfação de Samuel face a um universo meloso onde as manifestações de amor são uma constante. Farto de tanto amor, ele decide montar a sua bicicleta (metáfora para a imaginação) e fugir de tanto amor. Mas, o amor não escolhe apenas humanos... também animais e até extraterrestres... Não há como escapar ao amor! Nem no interior da selva ou nas profundezas do oceano, ele consegue escapar...
Porém, numa ilha deserta, Samuel vai livrar-se do amor... Ou talvez não! Algo a descobrir pelos pequenos e graúdos que mergulharem na leitura desta divertida e ternurenta história sobre a universal necessidade de Amor.
Pontos positivos também para a ilustração, onde fotografia e desenho se fundem com maestria.
"Amor... que nojo!", da autoria de Michael Catchpool e com ilustrações de Victoria Ball, tem a chancela das Edições Nova Gaia. Custa 11,90 euros.


Campo de flores

PALAVRAS COM ALMA
Deus me deu um amor no tempo de madureza,
quando os frutos ou não são colhidos ou sabem a verme.
Deus - ou foi talvez o Diabo - deu-me este amor maduro,
e a um e outro agradeço, pois que tenho um amor.

Pois que tenho um amor, volto aos mitos pretéritos
e outros acrescento aos que amor já criou.
Eis que eu mesmo me torno o mito mais radioso
e talhado em penumbra sou e não sou, mas sou.


Mas sou cada vez mais, eu que não me sabia
e cansado de mim julgava que era o mundo
um vácuo atormentado, um sistema de erros.
Amanhecem de novo as antigas manhãs
que não vivi jamais, pois jamais me sorriram.

Mas me sorriam sempre atrás de tua sombra
imensa e contraída como letra no muro
e só hoje presente.
Deus me deu um amor porque o mereci.
De tantos que já tive ou tiveram em mim,
o sumo se espremeu para fazer vinho
ou foi sangue, talvez, que se armou em coágulo.

E o tempo que levou uma rosa indecisa
a tirar sua cor dessas chamas extintas
era o tempo mais justo. Era tempo de terra.
Onde não há jardim, as flores nascem de um
secreto investimento em formas improváveis.

Hoje tenho um amor e me faço espaçoso
para arrecadar as alfaias de muitos
amantes desgovernados, no mundo, ou triunfantes,
e ao vê-los amorosos e transidos em torno,
o sagrado terror converto em jubilação.

Seu grão de angústia amor já me oferece
na mão esquerda. Enquanto a outra acaricia
os cabelos e a voz e o passo e a arquitetura
e o mistério que além faz os seres preciosos
à visão extasiada.

Mas, porque me tocou um amor crepuscular,
há que amar diferente. De uma grave paciência
ladrilhar minhas mãos. E talvez a ironia
tenha dilacerado a melhor doação.
Há que amar e calar.
Para fora do tempo arrasto meus despojos
e estou vivo na luz que baixa e me confunde.

Carlos Drummond de Andrade (1902-1987)

Semear “Sonhos na Palma da Mão” para colher liberdade

ANÁLISE LITERÁRIA - Infantil
“No sonho, a liberdade..." - é a porta de entrada deste livro. Uma porta sem fechadura, através da qual todos podem passar. Pequenos, graúdos. Na capacidade de sonhar mora a grandeza da vida. No sonho não há amarras, castrações, limites. No sonho, apenas a liberdade. É este o sentido que dá cor a esta obra de Luísa Dacosta.
"Estes 'Sonhos na Palma da Mão' pagam, de certa maneira, o encanto que me deram 'A Rapariga dos Fósforos', 'A Sereiazinha', 'O Patinho Feio', 'O Rouxinol' [Andersen]" – justifica a autora. E, porque encanto com encanto se paga, eis um livro doce, terno e impregnado de magia.
O ponto de partida para o sonho é aqui um pequeno pássaro, talvez um rouxinol... que "no seu ninho passou a chocar os sonhos da menina". É a imaginação dessa menina que lhe dá alma e juntos viajam; percorrem histórias possíveis (ou impossíveis); histórias vestidas por personagens sem nome.
A menina que a autora tomou como protagonista é, tão-somente, uma menina, uma criança como tantas outras que na palma da mão têm poisados sonhos, muitos sonhos.
Finaliza a autora: "Como o abrir e o fechar de um leque, assim se abriam e fechavam os sonhos da menina com aquele passarinho do quarto da avó - até que ela se cansou e abandonou ao mistério da sua grácil fragilidade..."
"Sonhos na Palma da Mão", editado pela ASA, integra a colecção "Obras Completas de Luísa Dacosta para a Infância". As ilustrações são de Cristina Valadas. Está à venda por 8 euros. É um livro recomendado pelo Plano Nacional de Leitura para o 4º ano de escolaridade destinado a leitura orientada na sala de aula.

A AUTORA
Ficcionista, cronista e poetisa com mais de duas dezenas de títulos publicados, Luísa Dacosta nasceu em 1927, em Vila Real, tendo-se formado na Faculdade de Letras de Lisboa, em Histórico-Filosóficas. Já distinguida pela Secção Portuguesa do IBBY (International Board on Books for Young People), que a escolheu como candidata portuguesa ao Prémio Han Christian Andersen - uma espécie de Nobel da literatura infantil.

Ubi Veritas

ALGUMA INSPIRAÇÃO
Na linguagem cifrada do vento
descubro uma metáfora amarelo sol
um estranho e onírico sopro
num feixe de arco-íris eterno

Espreitam olhos de maldade
escondem brinquedos de fingida simpatia,
mas as recordações filtram o passado
e servem o equilíbrio instável do presente

Linda boneca de tez rosada
deita-se no perfume do tempo
que constrói transparentes certezas
num mar urgente de cetim

Quero olhar a história
matar a vergonha consentida
e ver-te brincar na memória
retocada por desejos fortuitos

Ao olhar-te adormeço para a eternidade
e sorrio


Salomé Castro in Ubi Veritas

Meu tormento

PALAVRAS COM ALMA
Mais do que tu pensas
Enlouquecendo de amor,
Uno a tua imagem às folhas densas.

Tudo passa neste mundo,
Oiço o som da saudade
Retorcendo lá pelo fundo.
Moro longe da felicidade,
Enamoro-me das tuas belezas,
Na dor eu vivo
Tudo para mim são incertezas,
O amor de um ser cativo.

Orlando Castro in Algemas da Minha Traição (1975)

CARPE DIEM

IMAGENS COM ALMA

Estou além

PALAVRAS COM ALMA

Não consigo dominarEste estado de ansiedadeA pressa de chegarP'ra não chegar tarde
Não sei de que é que eu fujoSerá desta solidãoMas porque é que eu recusoQuem quer dar-me a mão
Vou continuar a procurarA quem eu me quero darPorque até aqui eu só:Quero quem, quem eu nunca viPorque eu só quero quemQuem não conheciPorque eu só quero quemQuem eu nunca viPorque eu só quero quemQuem não conheciPorque eu só quero quemQuem eu nunca vi
Esta insatisfaçãoNão consigo compreenderSempre esta sensaçãoQue estou a perder
Tenho pressa de sairQuero sentir ao chegarVontade de partirP'ra outro lugar
Vou continuar a procurarA minha formaO meu lugarPorque até aqui eu só:Estou bem aonde eu não estouPorque eu só quero irAonde eu não vouPorque eu só estou bemAonde eu não estouPorque eu só quero irAonde eu não vouPorque eu só estou bemAonde não estouEstou bem aonde eu não estouPorque eu só quero irAonde eu não vouPorque eu só estou bemAonde eu não estouPorque eu só quero irAonde eu não vouPorque eu só estou bemAonde eu não estouPorque eu só quero irAonde eu não vouPorque eu só estou bemAonde não estouPorque eu só quero irAonde eu não vouPorque eu só estou bemAonde não estou

António Variações (1944-1984)

Acordar, Viver

PALAVRAS COM ALMA
Como acordar sem sofrimento?
Recomeçar sem horror?
O sono transportou-me
àquele reino onde não existe vida
e eu quedo inerte sem paixão.

Como repetir, dia seguinte após dia seguinte,
a fábula inconclusa,
suportar a semelhança das coisas ásperas
de amanhã com as coisas ásperas de hoje?

Como proteger-me das feridas
que rasga em mim o acontecimento,
qualquer acontecimento
que lembra a Terra e sua púrpura
demente?
E mais aquela ferida que me inflijo
a cada hora, algoz
do inocente que não sou?

Ninguém responde, a vida é pétrea.

Carlos Drummond de Andrade (1902-1987)

Edição fac-similada de Cadernos de Poesia

ANÁLISE LITERÁRIA - Poesia


Dirigida, na primeira série, de 1940-42, por Tomaz Kim, José Blanc de Portugal e Ruy Cinatti, a que se juntariam Jorge de Sena e José-Augusto França nas segunda e terceira séries, de 1951 e 1952-53, a revista "Cadernos de Poesia" definia os seus objectivos da seguinte forma: "Destinam-se estes cadernos a arquivar a actividade da poesia actual sem dependência de escolas ou grupos literários, estéticas ou doutrinas, fórmulas ou programas".
Mais de meio século depois, a editora Campo das Letras recuperou estes "Cadernos de Poesia" numa reprodução fac-similada dirigida por Luís Adriano Carlos e Joana Matos Frias.
Esta edição (à venda por 14,46 euros) reproduz os exemplares pertencentes ao poeta Albano Martins, e integra três índices - um de autores, um de títulos e um geral - que visam facilitar a pesquisa por poetas e por poemas.
Integrada na colecção Obras Clássicas da Literatura Portuguesa Séc.XX, esta publicação conta com o apoio do Instituto Português do Livro e das Bibliotecas (Ministério da Cultura).
Nos três fascículos publicados em 1940 (de um total de 15 nas três séries) estão presentes poetas tão diversos como os pós-simbolistas e modernistas Luiz de Montalvor, João Cabral do Nascimento, João Osório de Castro, Armando Côrtes-Rodrigues e Fernando Pessoa, os presencistas Carlos Queiroz, Casais Monteiro, Campos de Figueiredo, António de Sousa, Alberto de Serpa, José Régio, Saúl Dias e António de Navarro, os neo-realistas João José Cochofel, Fernando Namora e Álvaro Feijó, além de Tomaz Kim, José Blanc de Portugal, Sophia de Mello Breyner Andresen, Ruy Cinatti e Jorge de Sena.
O facto de "Cadernos de Poesia" ter tido "fortes influências nos poetas da época" e "sobretudo nas gerações futuras" - além do inquestionável "interesse documental para o público do nosso tempo" -, justifica a aposta da Campo das Letras na reedição desta publicação (424 páginas).

Ubi Veritas

ALGUMA INSPIRAÇÃO
Vem meu amor
A tempestade voou para longe
Minha alma expande-se liricamente
por caminhos de algas
Entremos juntos na neblina
libertos de alma enferma

Vem meu amor
O sonho não é mais sentença de morte
Trombetas anunciam a liberdade
A ânsia corre em minha respiração
Quero beber o licor das estrelas
Voar em lençóis de espuma

Vem meu amor
Não temas o horizonte
nem espinhos de incerteza
Juntos vamos beijar o sol
Derreter imagens de prazer
Despir preconceitos cor de veneno

Vem meu amor
Quero mergulhar no teu corpo
Sentir o mel das tuas veias
Brindar ao fogo que nos mata
Gritar aos Deuses
que amamos sem freio

Vem meu amor
Vamos à procura de soluções poéticas



Salomé Castro in Ubi Veritas

Sugestões para menores de 18!

ANÁLISE LITERÁRIA - Sugestões de leitura
ANNIE DALTON
DIFEL
Anjos em SarilhosAté há bem pouco tempo, Mel era uma adolescente como tantas outras. Agora é um anjo e... viaja no tempo. Nesta segunda aventura, a Agência envia Mel e os seus amigos, Lola e Reuben, para a Londres do século XVI. Nesta missão eles terão de proteger Cat, Nick e Chance, um trio de adolescentes problemáticos. Ao início, Mel e os amigos não percebem por que razão esses jovens são tão importantes para a Agência. Depois, subitamente, tudo se complica e os anjos ficam em sarilhos. Não há tempo para mais dúvidas, têm de agir e rápido... Da colecção Academia de Anjos, este livro (201 páginas) está à venda por 8 euros.

DAV PILKEY
GRADIVA JÚNIOR

Quico Ricotta e o Robô Gigante...

Quico Ricotta é um rato pequenino, mas tem um amigo muito grande: um Robô Gigante voador! E, quando um patife extraterrestre chamado General Melga invade a Terra com um exército de melgas mutantes, o Quico e o Robô sabem exactamente o que devem fazer para resolver o problema! Eis uma nova aventura do Quico e do seu Robô de estimação. O livro tem 128 páginas e inclui cenas em FLIP-O-RAMA e instruções que ensinam a desenhar as personagens. O texto é de Dav Pilkey e as ilustrações são de Martin Ontiveros. Custa 9 euros.

CATHY HOPKINS
EDITORIAL PRESENÇA

Amigas, Namorados e Rivais
Mais um título da colecção "Clube das Amigas". A jovem Nesta parece ter encontrado o rapaz dos seus sonhos: Simon – simpático, carinhoso e lindo! O único problema é que ele é também tremendamente rico e Nesta sente que não consegue estar ao seu nível para poder fazer parte da sua vida. Felizmente, pode sempre contar com o apoio das suas amigas, Lucy e Izzie, que a vão ajudar a perceber o que é verdadeiramente importante na vida… Custa 6,73 euros.