Ubi Veritas

ALGUMA INSPIRAÇÃO
Palavras são abelhas
Corais de rosto vivo
Sultanas com sabor a sol
Vestidas de laranja fogo
Fitadas por olhos rasgados

Palavras são anéis
Presos em dedos longos
Sumarentos lábios
Carpidos em mármore lilás
Dourados por gotas de desejo

Palavras são horas
Cravos de aroma silvestre
Bojudas pedras na aurora
Caídas em mar de sono
Ancoradas em praias de amoras

Palavras são garranos
Libertos de dono ou freio
Sementes de leveza etérea
Eleitas para romper
Somadas para dizer



Salomé Castro in Ubi Veritas

A menina que enfrenta os lobos que saíram das paredes

ANÁLISE LITERÁRIA - Infanto-Juvenil


Atenção! Este não é, definitivamente, o típico livro infanto-juvenil; foge muito ao convencional. É preciso ter alguma coragem para folhear esta obra onde o medo do desconhecido é o tema principal. Mas é, também, uma história sobre coragem, vinda de quem menos se espera, vinda dos mais inconformados.
Escrita por Neil Gaiman, argumentista de BD, autor de “O Dia Em Que Troquei o Meu Pai por 2 Peixinhos Vermelhos” e responsável pela adaptação do filme de animação “Princesa Mononoke”, a obra é ilustrada por Dave McKean, ilustrador de centenas de capas de CD, livros e revistas de BD.
Esta é a história de Lucy que, ao andar às voltas por casa, começou a ouvir uns barulhos que vinham de dentro das paredes. Convencida de que se tratavam de lobos, tentou alertar a família, que não a levou a sério. Mas, um dia, “...os lobos saíram das paredes”. A família foi viver para a rua, enquanto via os lobos a destruir a casa. Lucy não desistiu de reconquistar o seu lar e criou um plano muito original para “domar os lobos”.
Com ilustrações fantásticas (nos dois sentidos), recorrendo, por vezes, a colagens de fotografias, McKean cria um ambiente sombrio, perfeitamente adaptado à história de Neil Gaiman.
“Os Lobos nas Paredes” é uma espécie de pesadelo de infância transposto para o papel; sendo um livro que deve ser lido na companhia de adultos. O álbum, da Vitamina BD, custa 16,99 euros.

Há Dias

PALAVRAS COM ALMA

Há dias em que julgamos
que todo o lixo do mundo
nos cai em cima
depois ao chegarmos à varanda avistamos
as crianças correndo no molhe
enquanto cantam
não lhes sei o nome
uma ou outra parece-me comigo
quero eu dizer:
com o que fui
quando cheguei a ser luminosa
presença da graça
ou da alegria
um sorriso abre-se então
num verão antigo
e dura
dura ainda.

Eugénio de Andrade (1923-2005)

Peixes vestidos com sentimentos de gente à deriva num aquário

ANÁLISE LITERÁRIA - Infantil

Um pequeno universo pleno de diversidade - assim é "O Aquário", um livro de João Pedro Mésseder, com ilustrações de Gémeo Luís.
No arranque do "Era uma vez..." desenha-se uma história de fantasia. O desenrolar desvenda um cenário líquido, rico pela diferença. Também as personagens são peças únicas no tabuleiro dos comportamentos e as relações estabelecidas transpiram a realidade.
João Pedro Mésseder conta aos mais pequenos a história de alguns peixinhos vestidos com sentimentos de gente. No seu pequeno mundo (perscrutado pelo olhar de um menino) os habitantes do aquário assumem comportamentos que vincam a diferença e atenuam a natureza que os une. Numa situação limite, as atitudes azedas e preconceituosas acabam por ceder, dando lugar à confraternização, amizade e entreajuda - sem quaisquer moralismos forjados.
"O Aquário" custa 12,50 euros e integra o Plano Nacional de Leitura
para o 3º ano de escolaridade - destinado à leitura orientada na sala de aula (grau de dificuldade II). Trata-se de uma edição da Deriva, cuja linha editorial aposta em dar a conhecer as "literaturas periféricas". "Editaremos escritores que não aceitam a pena perpétua do consumismo como nos é imposto pelo estado das coisas culturais", pode ler-se em www.derivaeditores.pt.
João Pedro Mésseder (pseudónimo literário de José António Gomes) tem publicado poesia e obras para crianças, algumas delas premiadas. Um dos seus livros infantis foi nomeado para a Lista de Honra do IBBY (International Board on Books for Young People).
Gémeo Luís obteve, em 2002, uma Menção Especial do Júri do Prémio Nacional de Ilustração e foi um dos cinco portugueses seleccionados para a exposição internacional Ilustrarte. Em 2006 foi congratulado com o Prémio Nacional de Ilustração, pelo livro “O Quê Que Quem”.

Ubi Veritas

ALGUMA INSPIRAÇÃO
Em altar bordado de pedras
Trocámos promessas
Despidas dos outros
Testemunha cega de amantes eternos,
o oceano
Madrastas fingidas de paixão volátil,
as dunas

Na espuma vadia
Que chora na praia
Percebo a raiva
De um amor por cumprir


Salomé Castro in Ubi Veritas

Traquinices pelos confins do Sistema Solar

ANÁLISE LITERÁRIA - Infantil

Os heróis desta história são a Rita e o Tiago. Juntos, vão aos confins do Sistema Solar: passam pela Lua, por Marte e por Júpiter, e até conhecem um ser extraterrestre e perturbam um cometa. Uma viagem animada pelas traquinices e pela imaginação de duas crianças.
“Foi verdade/ foi um sonho?/ Nem eu o posso dizer/ mas de uma aventura destas/ nunca mais me vou esquecer./ Que viagem/ que memória!/ Agora vai tudo para a cama/ que vem aí outra história.”
“Viagem da Rita e do Tiago pelo Sistema Solar” tem ilustrações de Kathy Silva. Integra a Colecção Palmo e Meio, da editora Campo das Letras
, e custa 10,50 euros.
O autor, Duarte Manuel Correia, é médico cardiologista. Vive no Porto e é membro do Conselho Directivo da Fundação Eugénio de Andrade. Em 1981 publicou o livro “O coração saudável e doente” integrado na Colecção Biblioteca da Saúde, da Editorial Caminho; em 2001 lançou uma pequena história infantil, “Duarte faz tudo ao contrário!!!”, na Colecção Palmo e Meio, da Campo das Letras.

Quando uma família atípica não cabe dentro de casa

ANÁLISE LITERÁRIA – Romance Juvenil
“A família que não cabia dentro de casa” é uma história que corre ao sabor de alguns acontecimentos (ou personagens) que se vão acrescentando à trama. A acção gira em torno de Maria Ana (uma jovem com 12 anos) e da sua atípica família. Tudo acontece num curto período de tempo.
Alexandre Honrado, o autor, faz prova da sua capacidade de aproximação ao imaginário juvenil. O discurso é doseadamente simples, fazendo-se valer de incursões que o projectam para a actualidade/realidade. O potencial comunicativo (no sentido de identificação do leitor com o texto) está, portanto, assegurado.
Mais do que ir adicionando novas personagens, a história parece tropeçar nelas. Acontecimentos inesperados vão carregando consigo novas figuras e, assim, a trama vai ganhando cor. A acção é, ainda, temperada com uma pitada de amor, amizade, humor e, até, um toque de mistério.
“A família que não cabia dentro de casa” é título do livro, mas funciona também como resumo ou pode mesmo descrever, na perfeição, o final da história. A aposta num enredo tão intencionalmente escancarado, poderá parecer redundante ou resultar numa leitura enfadonha... Errado! A mente de um jovem leitor poderá descobrir este livro como uma proposta interessante, assente num discurso coerente e actual. Fresco, leve e arejado. Arrisque-se dizer: um livro com aroma de Primavera.
Para além de escritor, Alexandre Honrado é jornalista, guionista, professor e investigador. É autor de livros para adultos, para crianças e jovens, manuais escolares, letras de canções, peças de teatro, guiões de ficção televisiva.
Com mais de quatro dezenas de títulos publicados em Portugal e no estrangeiro, Alexandre Honrado foi várias vezes premiado. O autor gosta de destacar a atribuição do Prémio de Literatura Infantil Comemorativo do 60º aniversário da Maternidade Alfredo da Costa, ao livro “História Dentro de uma Garrafa” – por ter sido essa a maternidade onde nasceu.
“A família que não cabia dentro de casa” conta com ilustrações de Rogério Taveira. Editado pela Ambar, este romance juvenil integra a colecção Aventura de Viver e está à venda por 9,92 euros. É um livro recomendado pelo Plano Nacional de Leitura para o 6º ano de escolaridade, destinado a leitura autónoma e/ou a leitura com apoio do professor ou dos pais.
Recorde-se que Alexandre Honrado assina outros títulos desta colecção: "Uma Chuvada na Careca", "O Maior dos Mistérios", "Sentados no Silêncio" e "Uma Argola no Umbigo".

Ubi Veritas

ALGUMA INSPIRAÇÃO

Fantasmas retomados, não como imagem exterior.
Como olhar para dentro de nós próprios:
o que guardamos do que fomos,
as opções que não tomámos no momento em que decidimos.
Proposta de desmultiplicação do corpo,
criando várias dimensões no tempo e espaço da realidade.
Motivações abstractas ou inconscientes dirigem o movimento,
definem dinâmicas, ritmos, qualidades, perspectivas, níveis...
O corpo dança com a alma.
Suporte dramático num estrato de consciência.
Ligação entre as imagens e os apontamentos suspeitos.
Mestiçagem de ícones estimulantes.
Transposição cénica ditada pela revisitação de uma memória.
Universo de sonhos, de referências que cada criador traz consigo.
Itinerário preso nos desdobramentos sucessivos da vida.
Destruição e reconstrução.
Abre-se a caixa de Pandora.
Teatro de visões varrido pelo imaginário.
Máquina de liberdade presa na dramaturgia.
Inesperadas janelas de revelação.
Espaços mentais inter-independentes,
resistência furiosa a uma qualquer linearidade cognitiva.
Sugestão do silêncio coreografado e encenado.
Fulgurante concretização de utopia:
rigorosa, feérica, labiríntica, inconclusiva.
Tempo para reaver o sentido e poder mágico da estrutura metafórica.
Teoria prática de um reportório expositivo
fragmentado em leituras cristalizadas.
Viagem que esboça uma história acidentada e com interesse filosófico.
Imagens repletas, saturadas de signos
como num qualquer delírio esquizóide.
Irrealidade do real.


Salomé Castro in Ubi Veritas

Todo dia é menos um dia

PALAVRAS COM ALMA

Todo dia é menos um dia;
menos um dia para ser feliz;
é menos um dia para dar e receber;
é menos um dia para amar e ser amado;
é menos um dia para ouvir e, principalmente, calar!

Sim, porque calando nem sempre quer dizer
que concordamos com o que ouvimos ou lemos,
mas estamos dando a outrem a chance de pensar,
reflectir, saber o que falou ou escreveu.

Saber ouvir é um raro dom, reconheçamos.
Mas saber calar, mais raro ainda.
E como humanos estamos sujeitos a errar.
E nosso erro mais primário, é não saber: Ouvir e calar!

Todo dia é menos um dia para dar um sorriso.
Muitas vezes alguém precisa, apenas de um sorriso
para sentir um pouco de felicidade!

Todo dia é menos um dia para dizer: - Desculpe, eu errei!
Para dizer: - Perdoe-me por favor, fui injusto!

Todo dia é menos um dia;
para voltarmos sobre os nossos passos.
De repente descobrimos que estamos muito longe
e já não há mais como encontrar onde pisamos quando íamos.
Já não conseguiremos distinguir nossos passos
de tantos outros que vieram depois dos nossos.

E se esse dia chega, por mais que voltemos;
estaremos seguindo um caminho, que jamais
nos trará ao ponto de partida.

Por isso use cada dia com sabedoria.
Ouça e cale se não se sentir bem;
Leia e deixe de lado, outra hora você vai conseguir
interpretar melhor e saber o que quis ser dito.

Carlos Drummond de Andrade
(1902-1987)

Cidade do Porto sob o ouro da Ilha do Chifre

ANÁLISE LITERÁRIA – Romance Juvenil

Rui e Ana – ou Iur e Réa – cumprem uma missão. Eles são os eleitos. O outro lado da cidade do Porto (aquele lado que é aqui e agora mas numa espécie de dimensão paralela) espera por eles. Urge resgatar a Ilha do Chifre de Ouro – pátria de anões, elfos, gnomos, duendes...
A acção desenrola-se a bom ritmo – as descrições motivam o leitor e, embora sejam o ingrediente dominante, são sabiamente travadas para renascer em parágrafos vindouros.
Um romance jovem com sabor a gelado: fresco, doce, ligeiro, saboroso. A escrita é acessível e muito próxima do universo actual dos jovens. Naturalmente, este romance tem particular interesse para aqueles que conhecem o Porto, dada a constante referência à cidade real.
"A Ilha do Chifre de Ouro", de Álvaro Magalhães, parece desvendar um sonho; um daqueles sonhos que recordamos ao acordar, daqueles que misturam, sem castração consciente, a realidade e a fantasia. Que forças maiores ditam aquela conjugação de factos e de ilusão? Não sabemos, mas a verdade é que esses sonhos, tão presos ao inconsciente, nos fascinam.
Aqui reside a força deste livro – com 223 páginas. "A Ilha do Chifre de Ouro" integra a colecção "Romance Jovem" das Edições ASA
– uma aposta que reúne alguns dos grandes nomes contemporâneos, portugueses e estrangeiros, da ficção destinada ao público jovem. Publicado originalmente em 1998, o título aqui em destaque (à venda por 13,50 euros) faz prova da qualidade e notoriedade do autor. A obra de Álvaro Magalhães, nascido no Porto em 1951, conta com mais de três dezenas de títulos e integra contos, poesia, narrativas juvenis e textos dramáticos. O autor foi várias vezes premiado pela Associação Portuguesa de Escritores (APE) e pelo Ministério da Cultura.

... tudo ser e em cada flor florir

PALAVRAS COM ALMA

As imagens transbordam fugitivas

E estamos nus em frente às coisas vivas.

Que presença jamais pode cumprir

O impulso que há em nós, interminável,

De tudo ser e em cada flor florir?

Sophia de Mello Breyner Andresen (1919-2004)

Viagens de José Jorge Letria entre a realidade e a utopia

ANÁLISE LITERÁRIA - Infantil



Da colecção Sonhos a Cores, editada pela Ambar, eis dois títulos de José Jorge Letria: “António e o Principezinho” e “Os Animais Fantásticos”.
Originalmente publicado em 1993, "António e o Principezinho", foi reeditado em 2005. É uma história intemporal e para ser lida sem restrições de faixa etária.
José Jorge Letria presta homenagem a Antoine de Saint-Exupéry, o autor de "O Principezinho" – igualmente uma obra intemporal.
Saint-Exupéry surge – numa fusão de real e ficção – como o personagem António. Colocado no centro da criação literária de Letria, António interage com uma personagem por si inventada, o Principezinho. A realidade vai, progressivamente, cedendo terreno à imaginação e o leitor acaba por embarcar naquele sonho de menino/homem, numa viagem imaginária e eterna que contorna a morte ancorando em portos de lembranças.
Trata-se de um livro mágico, terno e sensível. Valoriza as palavras, a amizade e as relações humanas – bem em sintonia com o universo retratado por Saint-Exupéry. As ilustrações são de Teresa Lima, vencedora do Prémio Nacional de Ilustração em 1998.

"Os Animais Fantásticos" é um livro que dá a conhecer animais nascidos da imaginação humana: do basilisco ao unicórnio, passando pelo centauro, pelo ciclope, pela esfinge, pela fénix e pelo lobisomem, entre outros.
No total, o autor reconstitui, poeticamente, os contornos maravilhosos que ditam a "existência" de dezanove animais mágicos e que asseguram o seu lugar no imaginário das civilizações, nas mitologias, nos livros de contos e nas lendas tradicionais.
Às palavras de José Jorge Letria juntam-se as ilustrações de André Letria – mais um título que regista a união de talentos de pai e filho.
Poeta, jornalista, letrista, dramaturgo e ensaísta, José Jorge Letria foi distinguido com alguns dos mais importantes prémios literários portugueses (Associação Portuguesa de Escritores, Gulbenkian) e também com o Prémio Plural (México), o Prémio Internacional UNESCO, o Prix Internacional des Arts et des Lettres (Paris).
Na área da literatura infanto-juvenil (onde já publicou mais de três dezenas de títulos) destacam-se obras como "Versos de fazer ó-ó", "Portugal para os Pequeninos" e "Timor contado às Crianças... e aos outros".
Cada um dos livros aqui em destaque custa 12 euros.

Ubi Veritas

ALGUMA INSPIRAÇÃO

Quero aprender a ler nas estrelas
e decantar sua solene alquimia


Perscrutar o mimoso choro da aurora
de doces mistérios tecida


Matar a vida de desesperada quietude
e magoada introspecção


Cicatrizar as garras feridas
e descobrir onde jaz a palavra Amor


Salomé Castro in Ubi Veritas

Ficções roubadas à realidade mais profunda da vida

ANÁLISE LITERÁRIA - Contos
. Tem 224 páginas e custa 13,50 euros.

Rosa Lobato de Faria é uma exímia contadora de histórias. "Os Linhos da Avó" é disso exemplo. As palavras parecem brotar de uma fecundidade intensa mas transpirando casualidade. Logo se revelam aos sentidos, com elegância, sabiamente temperadas, de toque aveludado, perfume fresco e parecendo sussurrar intimidades roubadas à realidade.
O nome escolhido para intitular a obra - "Os Linhos da Avó" - de modo algum deixa adivinhar a riqueza, diversidade e deleite dos universos que percorrem o livro. São vinte e uma histórias que relatam/retratam o amor, a paixão, o desejo, o ciúme, a traição, o sobrenatural, a dedicação, a despedida, o segredo, a ambição, a solidão, a imaginação, a perda, o sonho, a desilusão, a dor... mas, mormente, a morte.
A morte é, sem dúvida, uma temática recorrente nesta obra. Ela fixa morada na grande maioria dos contos. Porém, não está ancorada em solo demasiado nostálgico; é apenas ponto de partida ou ponto de chegada (sobretudo) para ficções arrancadas "à realidade mais profunda da vida" - como se pode ler na contracapa do livro.
"Os Linhos da Avó" vinca também uma perspectiva feminina. As histórias falam quase sempre de mulheres, da sua essência, das suas fraquezas.
Rosa Lobato de Faria repete, nesta obra, o conto "Criada para Todo o Serviço" - já publicado em "Crimes de Mulheres" (colectânea de textos com assinatura de escritoras originárias do Chile, Portugal, México, Argentina, Uruguai e Peru) - onde dá a conhecer uma mulher fatalmente coerente com a sua natureza.
A capa do livro, da autoria de Afonso de Sousa, evoca, discretamente, algum do ambiente recrutado pelas palavras de Rosa Lobato de Faria. Embora com lugar à subjectividade, talvez uma referência ao Verão e Outono da vida, talvez uma alusão ao fruto alvo da tentação, com sua volúpia, plenitude e decorrentes tragédias.
"Os Linhos da Avô" integra a colecção Finisterra - Autores Contemporâneos de Língua Portuguesa, publicada pelas Edições ASA

O caminho para descobrir a normalidade na diferença

ANÁLISE LITERÁRIA - Infantil
Psicóloga Inês Borges Taveira ajuda a quebrar um silêncio cheio de perguntas

“Os meus pais estão separados, mas não de mim", da autoria da psicóloga Inês Borges Taveira, é um livro para ser lido por filhos e pais. Fala de receios, necessidades, emoções, mudança, culpa, partilha, dor, amor... família, sentimentos.
"Escrevi este livro a pensar nestes pais corajosos que, não obstante a tempestade de mudança e emoção que os envolve, querem construir com os filhos uma nova forma de estar em família", escreve a autora.
Se uma criança enxerga muito além do que tantas vezes se supõe é também certo que esbarra frequentemente em angústias – tanto mais profundas quanto presas a mudanças no seu mundo familiar.
A separação/divórcio dos pais, quando não devidamente clarificada pelo diálogo, pode gerar uma incompreensão que se manifesta em isolamento sofrido ou em extroversão que amplifica comportamentos não raras vezes agressivos.
"Espero que a história de Sebastião e da família o ajude a pensar na sua; como cada um sente e vive a separação e como cada um pode contribuir para a nova família", explica Inês Borges Taveira.
Além de contar uma história onde, com certeza, inúmeros pequenos e graúdos se revêem, este livro aponta caminhos – indicações validadas pela adequada formação da autora.
Inês Borges Taveira é psicóloga (University of Durham) e Master of Science em Psicologia Clínica (University of Surrey), com pós-graduações em Terapia Familiar (Sociedade Portuguesa de Terapia Familiar) e Mediação Familiar (Asociación Interdisciplinaria Española de Estudios de la Familia). Desde 1995 que se especializou na área do divórcio/separação, desenvolvendo trabalho de assessoria aos tribunais de família e menores e leccionando nesta matéria.
"Os meus pais estão separados, mas não de mim" fornece pistas que ajudam a encontrar a normalidade na diferença. É igualmente uma proposta interessante para leitores que não estando enquadrados pela temática podem, ao conhecer a história do Sebastião e da família, compreender melhor uma experiência que toca outros com quem lidam: sejam primos, amigos, colegas, conhecidos...
Integrando a colecção "O Sol e a Lua", editada pela Campo das Letras, este livro (11,55 euros) conta com ilustrações de Fernanda Fragateiro, artista cujos projectos passam também pela escultura, instalação, intervenções em espaços públicos, e colaboração em projectos de arquitectura ou paisagismo.

Os versos que te fiz

PALAVRAS COM ALMA

Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que a minha boca tem pra te dizer!
São talhados em mármore de Paros
Cinzelados por mim pra te oferecer.

Têm dolência de veludos caros,
São como sedas pálidas a arder...
Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que foram feitos pra te endoidecer!

Mas, meu Amor, eu não tos digo ainda...
Que a boca da mulher é sempre linda
Se dentro guarda um verso que não diz!

Amo-te tanto! E nunca te beijei...
E nesse beijo, Amor, que eu te não dei
Guardo os versos mais lindos que te fiz!

Florbela Espanca (1894-1930)

Estudo dos lugares e dos povos de todo o Mundo

ANÁLISE LITERÁRIA - Infantil, Didáctico



“A Minha Primeira Enciclopédia de Geografia” é uma introdução ao estudo dos lugares e dos povos de todo o Mundo. Catalogada para maiores de seis anos, esta obra constitui um excelente apoio para projectos escolares.
Nas sua páginas, cada continente tem o seu espaço próprio, incluindo mapas temáticos e políticos, informações e respectivas explicações e fotografias de qualidade que ilustram pormenores paisagísticos e aspectos do quotidiano.
“O fundo do oceano Pacífico está coberto de montanhas e vales chamados fossas. O lugar mais profundo da Terra é a Fossa das Marianas. Tem mais de 11 km de profundidade. Se atirasses uma pequena pedra para o mar, demoraria mais de uma hora a alcançar o fundo da Fossa das Marianas” - exemplo do tipo de informações prestadas pela enciclopédia.
Esta obra apresenta, também, uma introdução muito útil aos mapas e uma área destinada às bandeiras de todo o Mundo. Tem referência a mais de 40 sites e deixa sugestões de actividades que aí é possível desenvolver: explorar o Grand Canyon com a ajuda de um mapa onde se vai clicando; ouvir canções tradicionais dos habitantes dos Andes; passear pela floresta tropical e observar os animais do deserto do Sara; pesquisar uma selecção de fotografias e diapositivos de todo o Mundo…
Com chancela da Porto Editora
, a colecção “A Minha Primeira Enciclopédia” inclui outras áreas para além da Geografia: História, Ciência, Corpo Humano, Espaço, Oceanos e Mares, Animais e Mundo. O título aqui em destaque custa 14,90 euros.

Ubi Veritas

ALGUMA INSPIRAÇÃO
Lua de brincos de princesa
Fecundas meu presente
Me perfumas de vida
Me vestes de rainha

Roubei teu nome
Para brindar ao amor

Lua de pétalas vivazes
Beijas minha existência
Sopras suspiros de alma
Em meu peito aberto

Roubei teu nome
Para brindar ao amor

Lua de sedosa lanugem
Deitas-me sobre malmequeres
Poisados em dorso de tartaruga
E eu desmaio sem receio

Roubei teu nome
Para brindar ao amor

Meu alvo anjo
Minha doce
Lua

Salomé Castro in Ubi Veritas

Alfonsina y el mar

PALAVRAS COM ALMA

Por la blanda arena que lame el mar
su pequeña huella no vuelve más,
un sendero solo de pena y silencio llegó
hasta el agua profunda.
Un sendero solo de penas mudas llegó
hasta la espuma.

Sabe Dios que angustia te acompañó
qué dolores viejos calló tu voz
para recostarte arrullada en el canto
de las caracolas marinas.
La canción que canta en el fondo oscuro del mar
la caracola.

Te vas Alfonsina con tu soledad,
¿qué poemas nuevos fuiste a buscar?
Una voz antigua de viento y de sal
te requiebra el alma y la está llevando
y te vas hacia allá como en sueños,
dormida, Alfonsina, vestida de mar.

Cinco sirenitas te llevarán
por caminos de algas y de coral
y fosforescentes caballos marinos harán
una ronda a tu lado.
Y los habitantes del agua van a jugar
pronto a tu lado.

Bájame la lámpara un poco más,
déjame que duerma nodriza en paz
y si llama él no le digas que estoy
dile que Alfonsina no vuelve.
Y si llama él no le digas nunca que estoy,
di que me he ido.

O suicídio de Alfonsina Storni
(poetisa e escritora argentina, 1892-1938)
inspirou a canção "Alfonsina y el mar",
de Ariel Ramírez e Félix Luna.

Este tema foi já interpretado por inúmeros músicos,
nomeadamente pela prodigiosa fadista portuguesa
Cristina Branco (álbum Ulisses).

Era uma vez... animais que animam uma infinidade de histórias

ANÁLISE LITERÁRIA - Infantil


Os contos protagonizados por animais caracterizam-se por uma certa humanização dos mesmos. Eles pensam e agem como humanos e muitas vezes aparecem vestidos com roupas “de gente”.
Em “A ratita Tita”, a autora, Nadine Walter, fala de uma ratinha costureira. Este livro (Edições Nova Gaia) é o perfeito exemplo de uma história em que os animais surgem humanizados: comportam-se como pessoas (uns são trabalhadores, outros são inteligentes, outros vaidosos, outros preguiçosos…). A identificação dos leitores com as personagens sai, ainda, fortalecida pelo facto de os animais vestirem roupa. A moralidade que reveste a história passa para o entendimento da criança/leitor de forma discreta mas eficiente. “A ratita Tita” (7,98 euros) retrata as vantagens da entreajuda.
Também ressalvando a importância da entreajuda, do espírito de união e do respeito pelas diferenças, eis “A Pulga Salta-Pocinhas e os Grãos de Areia” (7,49 euros), de Margarida Damião Ferreira. Editado pela Presença, este é um livro com um enredo consistente, ideal para crianças que já apreciem a leitura.
Mas, se a pulga Salta-Pocinhas tem diariamente uma missão muito especial – a de ser mensageira dos grãos de areia –, também “Faísca, o agente especial” acredita que lhe está reservada uma grande missão. Este livro (8,40 euros), de Anabela de Saint-Maurice (Ambar), relata os pensamentos de um perdigueiro português e, através deles, aborda a temática da partilha e, até, dos afectos. Se é certo que a criança imagina que os animais também podem ter sentimentos como os seus, esta história não defrauda as suas expectativas.
Quanto mais novas são as crianças/leitores, menor deve ser o texto e mais valorizada deve ser a componente visual - por forma a remediar a dificuldade de concentração. “Faísca, o agente especial” atende a essa necessidade, porém, nesta obra as tradicionais ilustrações são substituídas por fotografias (de Gonçalo Rosa da Silva).
Os livros ilustrados dão à criança o prazer do jogo visual das formas e das cores. “A Galinha dos Ovos de Ouro” (1,74 euros), editado pela Papa-Letras, é exemplo dessa atenção privilegiada à cor. Da colecção “Mini Contos Clássicos”, este conto, reescrito por Margarida Braga, é um entre os muitos que ficam imortalizados na memória de gerações, pela força, curiosidade ou singularidade de protagonistas do reino animal.
Em “A baleia constipada e outras histórias”, de Marita Ferreira, (Campo das Letras, 7,98 euros) distintos animais – um galo, uma baleia, uma cegonha, um elefante, uma gata, uma jacaré... – surgem a par de alguns objectos animados – uns sapatos, uma nuvem, um bolo, um espantalho... indo, assim, ao encontro da curiosidade evidente dos mais novos no que diz respeito à natureza, aos animais e a tudo o que os rodeia; e despertando/alimentando também a sua criatividade.
No livro “A cabra-cabrita”, Flor Campino confere pensamento humano, sentimentos e linguagem, aos animais, como se estes fossem pessoas. Conta a aventura de uma cabrinha que anseia por liberdade e que, farta de estar fechada, se aventura na montanha. Na caminhada cruza-se com muitos outros animais – a borboleta, o coelho, o ouriço, a lagartixa, o esquilo, o melro, o cuco e o mocho – que a avisam dos perigos que a serra encerra. Mas, apesar da sua imprudência, pois menosprezou os perigos para que havia sido alertada, a história tem um final feliz. Um caçador aparece e resgata a cabrinha e, não obstante ter disparado a caçadeira, o lobo não morre, “desaparece na noite a uivar” – o que exemplifica a tendência para evitar o confronto do jovem leitor com a eventual morte do animal. A percepção de que é sábia a decisão de não descurar os conselhos dos mais experientes é a moral a retirar de “A cabra-cabrita” (8 euros), com chancela das Edições Afrontamento.
A personagem do lobo é, aliás, uma figura deveras requisitada para as histórias infantis.
E, se em histórias como “A ratita Tita” ele não é, afinal, tão mau quanto se possa pensar, normalmente o lobo encarna a figura de vilão, como acontece em “A cabra-cabrita” ou em “Um Lobo pela Trela” (11,90 euros), de Guido Visconti, editado pela Livros Horizonte. O agricultor Osvaldo tem uma tarefa complicada: levar à feira uma couve, uma ovelha que gosta de couves e um lobo que gosta de ovelhas. A missão, após alguns percalços, acaba por ser superada com êxito. Este livro tem a interessante particularidade de desafiar os leitores para a resolução de duas hipotéticas situações. Esta opção, para além de conseguir reter a atenção da criança, garante a sua simpatia por um livro que espera contar com a sua ajuda.

Ubi Veritas

ALGUMA INSPIRAÇÃO
Lírios abertos em arco-íris risonhos
Água corrente onde cintilam fios de cabelo dourado
Ei-la. Tão bela
Projecta riscas de azul turquesa
num céu de areia branca intocável
Vem vindo. Tão bela
Deves esconder teu dom, linda princesa
Mergulhar em teu doce encantamento
Vestir tua pele de fada
nascida das asas de um anjo
Voltar ao conto
onde bebias veneno celeste e vivias
Partiu. Tão bela
Não mais ousamos acreditar em ti
A inocência afogou-se em desertos de realidade vadia

Salomé Castro in Ubi Veritas

Como são horríveis a História, a Ciência, a Geografia e a Cultura

ANÁLISE LITERÁRIA - Juvenil
Aprender nem sempre é tarefa fácil. Os temas são muitas vezes aborrecidos, até mesmo horríveis. Foi certamente com base nesta teoria que nasceu a colecção "Horríveis" - dividida em quatro grandes áreas: História Horrível, Ciência Horrível, Geografia Horrível e Cultura Horrível.
Não se assustem, porém, os professores, pois esta colecção não desacredita nenhum dos temas. A missão é, precisamente, despertar a curiosidade do público juvenil para o quão interessantes podem ser as temáticas para as quais, à partida, se faz má cara ou se torce o nariz.
Ilustrados com casos práticos e jogos, os Horríveis arrecadam a simpatia de um vasto número de jovens, bem como a aprovação de inúmeros docentes, um pouco por todo o mundo – esta colecção está editada em mais de 30 países.
Em formato de livro de bolso (com aproximadamente 150 páginas), os Horríveis estão à venda por 8,90 euros, com chancela das Publicações Europa-América
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Para cada uma das quatro grandes áreas, estão já editados vários títulos. Eis alguns:
HISTÓRIA HORRÍVEL
"A Terrível Segunda Guerra (Mundial)", com assinatura de Terry Deary e ilustrações de Martin Brown, desvenda os factos horrendos sobre a pior guerra de sempre. Fala das cidades ameaçadas pela neve e cercadas pelo inimigo, das trincheiras infestadas de mosquitos...
No domínio das curiosidades, revela, por exemplo, quais os soldados que, por serem tão fedorentos, os inimigos os encontraram devido ao seu mau cheiro; quem fez uma refeição de larvas ou, ainda, que bombas foram inventadas.
Lugar, também, para os rumores em que toda a gente acreditava, e para as armas mortíferas em que ninguém podia acreditar. Os leitores ficam, ainda, a saber que idosos de 80 anos se juntaram ao "Exército do Papá" e que miúdos de 12 defenderam Berlim até à sua inevitável derrota.
CIÊNCIA HORRÍVEL"Monstros Microscópicos" foi concebido por Nick Arnold e ilustrado por Tony de Saulles. Para aguçar a curiosidade dos jovens nada melhor do que algumas questões: Qual a criatura que põe ovos entre os nossos dedos dos pés? Quem são os bichos que vivem dos restos da nossa pele? Por que é que a nossa escova de dentes está coberta de germes? O que faz dos nossos intestinos o lar perfeito para as bactérias?
O mundo minúsculo dos micróbios desvenda-se, ainda, através do diário do ácaro do pó ou pela acção do investigador Dordebarriga - íntimo das bactérias.
GEOGRAFIA HORRÍVEL
O tumultuoso mundo dos "Rios Raivosos" é descrito por Anita Ganeri e ilustrado por Mike Phillips. De cascatas barulhentas, ao espantoso Grand Canyon - forjado por um velho rio -, passando por um breve contacto com piranhas esfomeadas ou com a excitante vida selvagem aquática... são algumas das propostas. Porém, há ainda a possibilidade de embarcar numa viagem com hidrólogos heróicos, desde um cume gelado até ao oceano.
CULTURA HORRÍVEL
Nick Arnold assina "Arqueologia Pavorosa". Clive Goddard ilustra. A proposta vai para os leitores que desejam tornar-se detectives do tempo e espreitar os tesouros que se escondem nos jardins, ou mesmo, que anseiem criar a sua própria múmia.
Contextualizando em termos temporais, o livro explora as primeiras incursões dos monstruosos caçadores de tesouros em busca de fortunas; depois, a actuação dos heróis que descobriram os segredos e as maldições dos túmulos perdidos; e, na actualidade, a acção dos computadores, que possibilitam a descoberta do passado, bem como a sua recriação
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Ausência

PALAVRAS COM ALMA


Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.


Carlos Drummond de Andrade
(1902-1987)

Contos de Rubem Alves chamam as angústias pelos nomes

ANÁLISE LITERÁRIA - Infantil

"As Mais Belas Histórias de Rubem Alves" é uma selecção de oito dos mais apaixonantes contos do autor para a infância.
Plenas de alma, ternura e sabedoria, as histórias recriam um mundo maravilhoso onde a capacidade de sonhar afasta a cortina onde estão desenhados os medos e obstáculos que os mais pequenos enfrentam a cada novo desafio.
Nas palavras do próprio Rubem Alves, "as histórias têm o poder de transfigurar o quotidiano. Elas chamam as angústias pelos nomes e dizem o medo em canções. Com isto, angústias e medos ficam mais mansos".
Cada história encerra uma ponte entre adultos e crianças - feito apenas conseguido por grandes contadores. Problemas que atormentam os mais crescidos conseguem na literatura do brasileiro Rubem Alves um reflexo incrivelmente nítido. Separação, despedida, doença, morte, solidão... são temas dolorosos, de abordagem difícil, que só as metáforas ajudam a abordar, sem contornar.
"O mundo das crianças não é tão risonho quanto se pensa. Há medos confusos, difusos, as experiências das perdas, bichos, coisas, pessoas que vão e não voltam...", diz o autor - num dos vários textos de enquadramento que enriquecem esta obra.
Não obstante o uso de algumas expressões em português do Brasil, todo o discurso empregue pinta com simplicidade e inteligibilidade as peripécias dos vários heróis.
Nota máxima também para a imagem global do livro. Com fabulosas ilustrações de Aida Xavier, toda a obra ganha uma envolvência mágica. Traços com muita cor, beleza, ritmo e vitalidade, dão vida às histórias do mestre Rubem Alves.
"A menina e o pássaro encantado", "A árvore e a aranha", "A selva e o mar", "A montanha encantada dos gansos selvagens", "O medo da sementinha", "A operação de Lili", "A história dos três porquinhos" e "A volta do pássaro encantado" - são as oito apaixonantes histórias.
O livro integra a Colecção Fantasia das Edições ASA. Custa 13 euros.

Contador de histórias, filósofo, pedagogo, poeta, teólogo...
Rubem Alves nasceu em 1933, no Estado de Minas Gerais, no Brasil. Casou-se em 1959 e teve três filhos: Sérgio, Marcos e Raquel (a sua musa na escrita de contos infantis).
Na literatura e a poesia encontrou a alegria que o manteve vivo nas horas más por que passou. Assume-se admirador de Adélia Prado, Guimarães Rosa, Manoel de Barros, Octávio Paz, Saramago, Nietzsche, T. S. Eliot, Camus, Santo Agostinho, Borges e Fernando Pessoa, entre outros.
Afirma que é “psicanalista, embora heterodoxo”, pois acredita que no mais profundo do inconsciente mora a beleza. A sua obra, vasta e diversificada, resulta de uma actividade intensa em áreas tão distintas como a pedagogia, a poesia, a filosofia, o ensaio, a teologia, a literatura infantil e a psicanálise.
É um dos intelectuais mais famosos e respeitados do Brasil, com vários títulos já publicados na área das Ciências da Educação e da Literatura Infanto-Juvenil.

Ventos de desventura para uma balada de amor

ANÁLISE LITERÁRIA - Romance


"Balada de Amor ao Vento" foi o primeiro registo literário de Paulina Chiziane. Mais do que um romance, esta obra – publicada pela primeira vez em 1990 - é um acto de liberdade. Paulina Chiziane foi a primeira mulher moçambicana a escrever um romance e a ousar tecer considerações sobre o amor e suas afectações culturais.
Sarnau e Mwando são os protagonistas desta "Balada de Amor ao Vento". Uma longa caminhada onde a dor domina mas onde o amor teima em reacender a sua chama. Tendo como envolvente a tradição, os hábitos e os costumes do povo moçambicano, a história de encontros e desencontros do casal é apresentada com uma aura melodiosa e doce - não obstante todo o sofrimento presente – mas nunca demasiado melosa.
As cenas que o leitor visualiza são descritas através de metáforas; através de ricas representações simbólicas cuidadosamente encadeadas.
Na página 12 há uma frase que, se na altura nos faz parar e pensar, no fim do livro se revela como a sua supra-síntese: "O passado persegue-nos e vive connosco cada presente". Assim foi com Sarnau e Mwando.
"Balada de Amor ao Vento" é a história de um amor adiado pela força da fraqueza e da impotência. A fraqueza de um homem que busca uma felicidade quimérica, e a impotência (transmutada em força) de uma mulher perante o abandono: “Tu foste para mim vida, angústia, pesadelo. Cantei para ti baladas de amor ao vento. Eras para mim o mar e eu o teu sal. No abismo, não encontrei a tua mão”.
O livro integra a colecção Outras Margens da Editorial Caminho
e está à venda por 9,45 euros.

Ubi Veritas

ALGUMA INSPIRAÇÃO
Faixas negras desenham olhos rasgados
Certezas anciãs de remendados feitios
Não choro, não temo

Triângulos translúcidos são cidades
Proezas erguidas em telhados planos
Não choro, mas temo

Bandeiras intrépidas chamam por mim
Tristezas copulam com a esperança
E parem um choro que mata mas não dói

Salomé Castro in Ubi Veritas

Os gritos silenciosos e poéticos das submissas mulheres afegãs

ANÁLISE LITERÁRIA - Poesia

"A Voz Secreta das Mulheres Afegãs - O Suicídio e o Canto” de Sayd Bahodine Majrouh, é um livro impregnado de sentimentos fortes. Com notas, introdução e tradução, de Ana Hatherly, esta obra dá a conhecer melodias desconhecidas.
A situação repressiva vivida pela mulher na sociedade afegã aparece quase subjugada por uma empreendedora vontade de libertação – oculta mas de teor destemido.
São poemas breves e ritmados tecidos por mulheres que, de certa forma, arriscam a vida ao falar abertamente de amor, de honra, de morte – temas som sabor a sangue.
“Este volume, que traduzi a partir da edição francesa de 1993, é um libelo contra a repressão, seja ela onde for, seja ela contra quem for. Foi em nome desse espírito que empreendi esta tradução”, sustenta Ana Hatherly.
Servidão, repreensão, injúria, inferioridade, subordinação, humilhação, submissão, desigualdade... são noções demasiados impregnadas no quotidiano das mulheres afegãs, acolhidas com tristeza e vergonha desde o berço.
“No seu íntimo, a mulher pashtun se indigna, contesta, alimenta a sua revolta. Deste protesto escondido, dia após dia endurecido, ela revela dois testemunhos: o suicídio e o canto” - palavras de Sayd Bahodine Majrouh.
As provocações contidas nos “landays” (poemas curtos, de dois versos livres de nove e treze sílabas, sem rimas obrigatórias mas com sólidas escansões internas) são uma escapatória e uma manifestação de revolta aos desígnios do “macho” (pai, marido, filho - que as vitimizam).
Sayd Bahodine Majrouh (1928-1988), poeta e profundo conhecedor das formas de arte e de poesia do seu país, o Afeganistão, recolheu estes cantos que representam uma linguagem secreta feminina, que serve para expressar discursos de ódio, amor, erotismo e escárnio. Uma linguagem proferida à revelia, com revolta face aos homens e a uma cultura masculina dominante.
“A Voz Secreta das Mulheres Afegãs - O Suicídio e o Canto”, conta ainda com um posfácio de André Velter: “O Explorador da meia-noite”.
Publicado pela Cavalo de Ferro
, está à venda por 12,20 euros.

Ubi Veritas

ALGUMA INSPIRAÇÃO

Farol de luz trémula
Hospedas tuas asas
Em mastros hirtos
Que furam a imensidão

Candeeiros desalinhados
Disputam encantamentos
Na tez negra da noite
Que desfia novelos de algas

Infantistas esqueletos
Escutam teus gritos maternos
Ancorados em espias estrelas
E rumam para teu ninho

Em foz pincelada de prata
Desaguam tresmalhados neptunos
Choram e te saúdam
Farol de luz trémula



Salomé Castro in Ubi Veritas

... os sonhos do mundo

PALAVRAS COM ALMA
Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim
todos os sonhos do mundo.


Fernando Pessoa (1988-1935)

Ubi Veritas

ALGUMA INSPIRAÇÃO
O vento sopra voraz. Os gigantes movem-se cadenciados. Sensação submersa em mar de angústias. Medo? Portentosos moinhos rodam suas pás. Adversários do cavaleiro andante. Ufanista, obstinado e louco. Loucura sã... heroísmo e candura. Estranho, solitário e vencido. Culpados, os gigantes do sistema. Patriotismo desmedido, perda da razão. Visionário que luta, que se ergue como um vulto na berma da estrada... quieto, sentado, incerto. Todos o conhecem. Todos o têm. Todos o sentem. Poucos o consentem. Puro medo: eu? Cavaleiro que luta contra moinhos de vento. Obstinado que persegue a vontade partilhada. A seu lado o fiel escudeiro, a realidade. O bom senso teima em não vir à tona. Gigantes modernos ditam uma mesma verdade. Novos tempos, novos rumos, idênticos sonhos. Visão utópica em busca de intenção real. Não à resignação. Sim à filosofia. Perigoso quando manipulado por mãos férreas. Dócil quando domado por mãos francas. Patriotismo desmedido e fé... muita fé. Resgatar sua perdida Dulcineia. Resgatar o amor, a vontade. Resgatar a essência, a verdade. Nos campos de batalhas, penetrar as páginas críticas com humor quase mordaz. Nobre herói visionário. Não, não perdeste a razão. Peregrino do ideal, empenhaste-te em mil pelejas. Não manchaste tua alma nobre e pura, enquanto a turba ultriz te apupava senil. Só tu... sonhador.

Salomé Castro in Ubi Veritas

Aurora boreal

PALAVRAS COM ALMA
Tenho quarenta janelas
nas paredes do meu quarto.
Sem vidros nem bambinelas
posso ver através delas
o mundo em que me reparto.
Por uma entra a luz do Sol,
por outra a luz do luar,
por outra a luz das estrelas
que andam no céu a rolar.
Por esta entra a Via Láctea
como um vapor de algodão,
por aquela a luz dos homens,
pela outra a escuridão.
Pela maior entra o espanto,
pela menor a certeza,
pela da frente a beleza
que inunda de canto a canto.
Pela quadrada entra a esperança
de quatro lados iguais,
quatro arestas, quatro vértices,
quatro pontos cardeais.
Pela redonda entra o sonho,
que as vigias são redondas,
e o sonho afaga e embala
à semelhança das ondas.
Por além entra a tristeza,
por aquela entra a saudade,
e o desejo, e a humildade,
e o silêncio, e a surpresa,
e o amor dos homens, e o tédio,
e o medo, e a melancolia,
e essa fome sem remédio
a que se chama poesia,
e a inocência, e a bondade,
e a dor própria, e a dor alheia,
e a paixão que se incendeia,
e a viuvez, e a piedade,
e o grande pássaro branco,
e o grande pássaro negro
que se olham obliquamente,
arrepiados de medo,
todos os risos e choros,
todas as fomes e sedes,
tudo alonga a sua sombra
nas minhas quatro paredes.

Oh janelas do meu quarto,
quem vos pudesse rasgar!
Com tanta janela aberta
falta-me a luz e o ar.
António Gedeão
(1906-1997)

Crónicas de Orlando Castro dão vida ao livro "Alto Hama"

LITERATURA - lançamento

No final de Setembro será apresentado na Casa de Angola de Lisboa o livro “Alto Hama – crónicas (diz) traídas” de que é autor o jornalista e historiador angolano-português Orlando Castro.
Trata-se de uma edição da Papiro Editora com o apoio da Casa de Angola e engloba algumas crónicas publicadas no principal órgão informativo lusófono da net, o Notícias Lusófonas
na secção que dá nome ao livro (Alto Hama). O prefácio da obra é de Eugénio Costa Almeida, Mestre em Relações Internacionais e Doutorando em Ciências Sociais.

O autor
Orlando Castro nasceu em 1954, em Angola. Como jornalista, deixou na sua terra natal colaboração dispersa em vários periódicos e no Rádio Clube do Huambo.
Em 1975, ainda em Angola, publicou o livro de poemas “Algemas da Minha Traição”, livro editado pelo Artoliterama.
Em Portugal, para onde veio em finais de 1975, colaborou com vários jornais, nomeadamente “O País”, “Templário”, “Vida Social” e “O Primeiro de Janeiro” (do qual foi editor, na secção de Economia). Integra, desde 1991, a redacção do “Jornal de Notícias”.
Em 1995 publicou “Açores – Realidades Vulcânicas” (com o apoio da Casa dos Açores do Norte), a que se seguiu (em 1997) a peça de teatro “Ontem, hoje e… amanhã?”, numa edição da Comissão de Jovens de Ramalde. No ano de 2001 veio a lume “Memórias da Memória”, com prefácio de Arlindo Cunha. Tem colaboração dispersa em várias publicações internacionais, nomeadamente do Brasil e de Angola.

Vida de cão...

REALIDADE CRUA

Um caso de amor. Tudo começou no dia 4 de Dezembro de 1995 na porta traseira do Centro Comercial Brasília, no Porto. Foi amor à primeira vista. Hoje, continuo apaixonada pela sua sensibilidade, inteligência, mas sobretudo pela sua dedicação.
Tinha cerca de dois meses de idade. Abandonada, circulava em redor das pessoas mendigando atenção. Conquistou-me. Como ela tantos outros são abandonados. Muitos encontram a morte nos canis camarários e a maioria acaba por morrer à fome ou nas estradas, enquanto vagueiam pelas ruas em busca de alimento e de abrigo.
Em Portugal estima-se que mais de 10.000 animais são abandonados anualmente. As associações zoófilas que recolhem animais já há muito ultrapassaram a sua capacidade de alojamento. O mau/deficiente tratamento dispensado acaba por ser uma inevitável consequência.
Época de férias... pois!
Para além do sofrimento e degradação física, o abandono provoca graves danos psicológicos no animal. Arrancado de um contexto que naturalmente atenua os seus instintos básicos de sobrevivência (como a busca de alimentos) e apura a sua afectividade pelos donos, o animal (sobretudo o cão) entra em sofrimento.
A penalização dos donos pelo abandono não é ainda uma realidade no nosso país. O sistema electrónico que determina a introdução nos animais de um microchip que permita identificar cada animal pela raça, data de nascimento e respectivos donos, parece ser a mais sustentável via para providenciar a responsabilização.
A identificação electrónica de animais de companhia iniciou-se, na Europa, há mais de 15 anos, nomeadamente em países como a Bélgica, Dinamarca e Espanha. Ao promover uma identificação animal correcta e eficaz, potencia a responsabilização dos proprietários dos animais, contribuindo, assim, para a diminuição do abandono.
O microchip é constituído por um código exclusivo e inalterável, gravado a laser e encapsulado num vidro cirúrgico, que tem o tamanho de um bago de arroz, com aplicação por via subcutânea.
Em Portugal a colocação do microchip é já obrigatório nas raças consideradas perigosas (Decreto-Lei n.º 312/2003 de 17 de Dezembro de 2003). A legislação prevê a total obrigatoriedade a partir de 2008.
Está a cargo do Sindicato Nacional dos Médicos Veterinários a criação e gestão de um banco de dados com a identificação dos animais de companhia: SISTEMA DE IDENTIFICAÇÃO E REGISTO ANIMAL – SIRA/SNMV.
Ainda na crescente (e feliz) lógica que visa conferir maior dignidade aos nossos amigos animais há que realçar o passaporte veterinário. Trata-se de um pequeno livro azul com as doze estrelas da União que visa provar a boa saúde do animal, a sua situação legal ou os exames clínicos realizados. Na prática, o objectivo é harmonizar o documento veterinário dos animais domésticos, substituindo assim 25 documentos nacionais diferentes, onde deve constar obrigatoriamente a vacina contra a raiva.
O documento é obrigatório para os animais que viajem na União Europeia em qualquer circunstância, incluindo pelas fronteiras terrestres, cujo controlo pode ser feito pela polícia do Estado-membro de acolhimento.
A excepção a esta regra acontece no Reino Unido, Irlanda, Suécia e Malta, onde as regras veterinárias são mais rigorosas e a simples existência do documento não é suficiente para garantir a entrada no país.
ANÁLISE LITERÁRIA
"O Cão Vermelho"
Por fim, não posso deixar de sugerir uma leitura "O Cão Vermelho" (Edições ASA). Louis de Bernières encontrou nele fascínio suficiente para lhe dedicar o seu talento de escritor. As histórias relatadas são baseadas na realidade a partir de uma recolha cuidada.
O Cão Vermelho marcou a vida de muitos. Não porque fosse um cão-herói capaz das mais arriscadas façanhas ou salvamentos. Fiel a si próprio, o Cão Vermelho ficou na história pela sua solidão tão imensamente preenchida. Quem ama os animais não duvida do enredo. Quem não ama, com certeza, assegura o respeito.
Porque os animais são nossos amigos... e sentem.

Um encontro feliz com a auto-estima

ANÁLISE LITERÁRIA - Infantil


“André diz Não!” é a mais recente novidade infantil das Edições Nova Gaia.
Da autoria de Chantal van den Heuvel e com ilustrações de Nancy Pierret, este livro (traduzido por Salomé Castro) conta a história de André, que tem um amigo: o Bruno. Mas o Bruno é muito mandão e, com medo dele, o André faz tudo o que o amigo ordena. “Tenho de aprender a dizer não”, pensa o André. Em frente ao espelho, ele ensaia: “Não, Não, Não”. Mas, em frente ao Bruno… só consegue dizer: “Sim, claro!”.
O livro aborda uma cenário recorrente nas brincadeiras de crianças: os mais “fortes” impõem a sua vontade aos mais “fracos”. “André diz Não!” é um incentivo à afirmação e um encontro feliz com a auto-estima. Tem 32 páginas e está à venda por 9,50 euros.

"Munique", o filme e o livro

ANÁLISE - filme/livro

“Munique”, filme do cineasta norte-americano Steven Spielberg estreado em Portugal em Fevereiro de 2006 e candidato aos principais Óscares da Academia de Hollywood, relata o atentado perpetrado por terroristas palestinianos contra atletas israelitas nos Jogos Olímpicos de 1972, na Alemanha, e as suas consequências, particularmente a resposta à letra por parte de Israel.
A película, que conta com as interpretações de Eric Bana, Geoffrey Rush e Daniel Craig (o novo 007), entre outros, tem espoletado alguma polémica, já que surgiram acusações de que não segue à risca a obra onde se inspirou, o livro “Munique – A Vingança”, recentemente editado entre nós pela Ulisseia.
Quanto à qualidade cinematográfica de “Munique” pouco há a apontar, já que é, sem dúvida, um filme cativante, envolvente e bem feito, com um realismo notável (parece que estamos mesmo nos anos 70) e que não se dispersa apesar da grande diversidade geográfica em que decorre acção – Londres, Paris, Atenas, etc. Entre a espionagem e o terrorismo não faltam focos de interesse que fazem com que os 160 minutos do filme decorram com naturalidade.
Parecendo por vezes um documentário, no que de positivo tem esta comparação, “Munique” é um filme a não perder, nomeadamente pelo seu interesse histórico. As relações conturbadas entre Oriente e Ocidente tiveram neste acontecimento – que resultou na morte de onze atletas israelitas e de diversos terroristas palestinianos – um dos seus pontos cruciais podem ser melhor compreendidas se se vir a obra de Spielberg.
Mas, a quem quiser saber mais detalhadamente o que ocorreu em Munique e, especialmente, no pós-Munique, aconselha-se a leitura de “Munique – A Vingança”, de George Jonas. O livro, que já em 1986 havia dada origem ao filme “Sword of Gideon”, de Michael Anderson, conta a história segundo a perspectiva do agente da Mossad (serviços secretos de Isreal) “Avner” (no filme de Spielberg interpretado pelo australiano Eric Bana) que, com apenas 26 anos, foi escolhido pela presidente Golda Meir para liderar a equipa encarregue de eliminar os mentores do atentado de 1972. “Munique - A Vingança” descreve detalhadamente como decorreu toda a operação contra os responsáveis palestinianos e leva o leitor a entrar no mundo do terrorismo e da espionagem, mas em duas vertentes. Se por um lado mostra como “funciona” um agente secreto, eficaz, impiedoso e frio, por outro também expõe o seu lado humano, quando dá por si a utilizar, para combater o terrorismo que tenta castigar, as mesmo armas e tácticas que os “castigados”.
“Munique – A Vingança” tem 392 páginas e está à venda por 22,99 euros.
O autor desta obra, o jornalista e escritor George Jonas, nasceu na Hungria em 1935 mas vive no Canadá desde os 21 anos. Neste país trabalhou na emissora pública, a CBC, até 1985, ano a partir do qual passou a ser jornalista freelancer. Paralelamente, desenvolveu uma carreira de escritor de romances, peças de teatro, poesia, assim como de produtor de televisão.