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Pequenas grandes sugestões de Natal

ANÁLISE LITERÁRIA - Infantil
“Ó Pai Natal, meu amiguinho, traz-me um mundo de amor”
“Nove Contos de Natal” - Campo das Letras (16,80 euros)
Cidália Fernandes conta "Nove Contos de Natal": “Meu Natal pequenininho”; “A discussão”; “A última carta”; “Dar e receber”; “A estrelinha”; “A rena preguiçosa”; “A melhor notícia”; “Um coração igual ao teu”; “O Natal do Artur”; “A fogueira de Natal”. As ilustrações são de Fedra Santos. Este livro inclui um CD de oferta, onde acrescem músicas de Aníbal José Magalhães.
Inserido na colecção Vamos Ler, este título adequa-se - pela linguagem empregue - aos pequenos leitores já com considerável capacidade de entendimento. “Ó Pai Natal, meu amiguinho/ Traz-me um mundo de amor/ Onde os sorrisos e os abraços/ Possam mitigar a dor” - é um dos versos que acompanha e enriquece a prosa que corre solta neste livro.

É verdade que os sonhos de Natal têm mais sabor
“Sonhos de Natal”Gailivro (17,80 euros)"Sonhos de Natal" não é um doce típico de Natal. Neste caso, trata-se de um lindo (e também doce) livro. Da autoria de António Mota (e com ilustrações de Júlio Vanzeler), esta obra cativa ao primeiro olhar: quase amor à primeira vista. Ao folheá-la o leitor tem a certeza da intensidade desse contacto. A história passa-se num aldeia longínqua onde o Inverno chega mais cedo. Com a chegada das férias de Natal, Manuel e os outros meninos ficam ansiosos. Os preparativos para esta quadra festiva providenciam uma atmosfera harmoniosa. As crianças fazem os seus pedidos ao Menino Jesus. Mas, porque Natal é também tempo de boas surpresas, na noite em que se celebra o nascimento do menino Jesus, o pai de Manuel regressa do Brasil, onde estava emigrado.

Quando os brinquedos também gostam de brincar
“A Pequena Árvore de Natal” - Porto Editora (13,90 euros)
"A Pequena Árvore de Natal" é, inquestionavelmente, um livro de grande qualidade gráfica. Ilustrações em alto relevo (com assinatura de Susanna Ronchi) acompanham uma história carregada de magia, encanto e afectos. Trata-se de um álbum que a cada página desvenda personagens especiais.
"Perto do Pólo Norte, numa terra de gelo e neve, existe uma pequena quinta com uma oficina nas traseiras. É aí que o Pai Natal passa todo o ano a fabricar brinquedos que depois entrega na noite de Natal" - assim começa a história. A surpresa desta narrativa está no facto de, como por magia, os brinquedos nascidos por arte do Pai Natal ganharem vida. É verdade! E, assim, após ficarem prontos vão para o campo brincar até ser hora de subir para o trenó...

Era uma vez uma vaquinha muito solidária
“Certa noite num estábulo...” - Livros Horizonte (11,98 euros)
Numa das colinas de Belém há um estábulo onde uma velha vaquinha espera ansiosa pelo seu dono. Certa noite o vento sopra forte e a vaquinha decide abrigar todos os animais. Haverá ainda lugar no pequeno estábulo para um burro carregado que também vem pedir abrigo?
"Certa noite, num estábulo..." é uma história imbuída do espírito de Natal: solidariedade e ajuda ao próximo. A harmonia entre animais e humanos surge também retratada nesta história protagonizada por uma velha vaquinha e que termina com o louvor a um menino que nas palhas está deitado. Um texto terno, da autoria de Guido Visconti, acompanhado por ilustrações de Alessandra Cimatoribus.

Contos de Natal escritos por Charles Dickens
“Contos de Natal” - Guimarães Editores (14,90 euros)A obra de Charles Dickens permanece como uma referência obrigatória e plena de actualidade sobre a condição humana. "Contos de Natal" é um título que pode ser lido por maiores de oito anos, mas ideal para qualquer idade.
Este volume inclui quatro dos melhores contos de Dickens (tradução de João Costa): o clássico "Um Cântico de Natal", "As Receitas do Dr. Marigold", "Os Sete Caminhantes Pobres" e "As Vozes e os Sinos". Palavras que vincam a sua tese de que todos os humildes e sofredores deveriam ter o direito de alcançar o mínimo de conforto físico e moral. As ilustrações de início de capítulo são da autoria de Helena Simas.

Quem é afinal o senhor das barbas brancas?“O senhor das barbas brancas” - Everest Editora (4,75 euros)
Elsa Serra assina este título da colecção Montanha Encantada. "O senhor das barbas brancas" é uma história que explica aos mais pequenos quem é esse barbudo que, todos os anos, aparece por altura do Natal: onde vive, o que faz, quais os seus segredos mais bem guardados (sabiam que ele tem um baú de onde nascem, todos os anos, prendas para o mundo inteiro?)... enfim, um livro preso à descoberta - até mesmo pelo grafismo adoptado.
Concebido para crianças a partir dos cinco anos, este livro marca diferença pelo intencional desalinho do seu conteúdo. Letras que parecem querer atropelar-se ditam um discurso que vai ganhando coerência à medida que nos vamos aproximando do termo do livro. As ilustrações são de Richard Câmara.

Um Pai Natal triste, cansado e que não consegue sonhar
“Um beijo para o Pai Natal” - Edições Nova Gaia (7,98 euros)
O pequeno Max decidiu encontrar-se com o rei dos brinquedos e dar-lhe um grande abraço. Mas será que o rei dos brinquedos vem até sua casa? Max vai averiguar junto das decorações de Natal e descobre um homem muito, muito velhinho que está a tirar uma soneca no sofá da sua sala. Mas algo está errado? O velhote está triste, cansado e diz que não consegue sonhar. Nada o alegra. Mas, depois de variadíssimas tentativas falhadas e depois de muito pensar, Max descobre o que pode voltar a fazer sonhar o Rei dos Brinquedos... Certo é que acaba mesmo por merecer um beijo do Pai Natal. “Um beijo para o Pai Natal” foi escrito por Elisabeth Coudol. As coloridas ilustrações que dinamizam a história são de Nancy Pierret.

Histórias de tempos remotos que gostamos de guardar
“O Livro do Natal” - Edições ASA (11,50 euros)
A escritora Maria Alberta Menéres escreveu “O Livro do Natal”, onde faz um cruzamento de tempos bem remotos, tempos que sempre cuidamos que passem por nós, tempos que devagarinho vamos guardando reinventados para quem os quiser ler e descobrir. Neste bonito álbum, Maria Alberta Menéres, uma verdadeira especialista em histórias para crianças, leva-nos àqueles tempos que passámos aconchegados à lareira da memória.

Edição fac-similada de Cadernos de Poesia

ANÁLISE LITERÁRIA - Poesia


Dirigida, na primeira série, de 1940-42, por Tomaz Kim, José Blanc de Portugal e Ruy Cinatti, a que se juntariam Jorge de Sena e José-Augusto França nas segunda e terceira séries, de 1951 e 1952-53, a revista "Cadernos de Poesia" definia os seus objectivos da seguinte forma: "Destinam-se estes cadernos a arquivar a actividade da poesia actual sem dependência de escolas ou grupos literários, estéticas ou doutrinas, fórmulas ou programas".
Mais de meio século depois, a editora Campo das Letras recuperou estes "Cadernos de Poesia" numa reprodução fac-similada dirigida por Luís Adriano Carlos e Joana Matos Frias.
Esta edição (à venda por 14,46 euros) reproduz os exemplares pertencentes ao poeta Albano Martins, e integra três índices - um de autores, um de títulos e um geral - que visam facilitar a pesquisa por poetas e por poemas.
Integrada na colecção Obras Clássicas da Literatura Portuguesa Séc.XX, esta publicação conta com o apoio do Instituto Português do Livro e das Bibliotecas (Ministério da Cultura).
Nos três fascículos publicados em 1940 (de um total de 15 nas três séries) estão presentes poetas tão diversos como os pós-simbolistas e modernistas Luiz de Montalvor, João Cabral do Nascimento, João Osório de Castro, Armando Côrtes-Rodrigues e Fernando Pessoa, os presencistas Carlos Queiroz, Casais Monteiro, Campos de Figueiredo, António de Sousa, Alberto de Serpa, José Régio, Saúl Dias e António de Navarro, os neo-realistas João José Cochofel, Fernando Namora e Álvaro Feijó, além de Tomaz Kim, José Blanc de Portugal, Sophia de Mello Breyner Andresen, Ruy Cinatti e Jorge de Sena.
O facto de "Cadernos de Poesia" ter tido "fortes influências nos poetas da época" e "sobretudo nas gerações futuras" - além do inquestionável "interesse documental para o público do nosso tempo" -, justifica a aposta da Campo das Letras na reedição desta publicação (424 páginas).

Uma lenda de amor que desmaia nas margens do Rio Ave

ANÁLISE LITERÁRIA - Infantil


"A Lenda do Rio Ave", de Maria José Meireles, é uma história de amor esculpida em cenário bucólico. A natureza está em sintonia com o amor entre uma bela cabreira e um cavaleiro, e não ousa ficar indiferente à dor de uma separação que se quer breve mas que se faz longa. E porque - diz-se - "o amor move montanhas" (neste caso, serras), a formosa cabreira pôde fazer chegar as suas lágrimas ao seu amado. É a imaginação de Maria José Meireles ao serviço de uma lenda de amor que desmaia nas margens de um rio: o Rio Ave.
As ilustrações são de João Caetano - formado em Pintura pela Escola Superior de Belas Artes do Porto, e que, em 2001, recebeu o Prémio Nacional de Ilustração com o livro "A Maior Flor do Mundo", de José Saramago.
Maria José Meireles, licenciada em História, é professora. É co-fundadora da Cooperativa de Ensino Árvore, em Guimarães.
"A Lenda do Rio Ave" integra a colecção “O Sol e a Lua”, editada pela Campo das Letras. Custa 9,95 euros.

A ajuda da pequena Matilde entre brincadeiras e coisas sérias

ANÁLISE LITERÁRIA - Infantil
reúne uma dezena de títulos, alguns dos quais integram o Plano Nacional de Leitura.
A Colecção Matilde destina-se a crianças em idade pré-escolar. As histórias retratam, de forma simples, contextos que caracterizam o quotidiano real das crianças. Da autoria de Mary Katherine Martins e Silva (texto e ilustrações), os livros desta colecção (5,88 euros/cada) são acompanhados por um guia para pais, que deixa algumas sugestões para ajudar a criança em situações várias. O formato dos livros não resulta muito cativante para os mais pequenos, porém, as ilustrações conseguem atenuar esse ponto fraco.
"Matilde - Brinca com as Letras!!!" tem por missão despertar para o prazer da leitura: "A Matilde olha para a sua sopa com muita atenção. Lá dentro estão muitas massinhas boas com forma de letras..."
"Matilde - Vai para a Escola!!!" ajuda a criança na entrada para a escola: "A Matilde já tem seis anos. Este é o último ano que está no Jardim de Infância. A Sara, que é a educadora da Matilde, explica aos meninos que já não falta muito para irem para outra escola".
Esta colecção, editada pela Campo das Letras

Traquinices pelos confins do Sistema Solar

ANÁLISE LITERÁRIA - Infantil

Os heróis desta história são a Rita e o Tiago. Juntos, vão aos confins do Sistema Solar: passam pela Lua, por Marte e por Júpiter, e até conhecem um ser extraterrestre e perturbam um cometa. Uma viagem animada pelas traquinices e pela imaginação de duas crianças.
“Foi verdade/ foi um sonho?/ Nem eu o posso dizer/ mas de uma aventura destas/ nunca mais me vou esquecer./ Que viagem/ que memória!/ Agora vai tudo para a cama/ que vem aí outra história.”
“Viagem da Rita e do Tiago pelo Sistema Solar” tem ilustrações de Kathy Silva. Integra a Colecção Palmo e Meio, da editora Campo das Letras
, e custa 10,50 euros.
O autor, Duarte Manuel Correia, é médico cardiologista. Vive no Porto e é membro do Conselho Directivo da Fundação Eugénio de Andrade. Em 1981 publicou o livro “O coração saudável e doente” integrado na Colecção Biblioteca da Saúde, da Editorial Caminho; em 2001 lançou uma pequena história infantil, “Duarte faz tudo ao contrário!!!”, na Colecção Palmo e Meio, da Campo das Letras.

Era uma vez... animais que animam uma infinidade de histórias

ANÁLISE LITERÁRIA - Infantil


Os contos protagonizados por animais caracterizam-se por uma certa humanização dos mesmos. Eles pensam e agem como humanos e muitas vezes aparecem vestidos com roupas “de gente”.
Em “A ratita Tita”, a autora, Nadine Walter, fala de uma ratinha costureira. Este livro (Edições Nova Gaia) é o perfeito exemplo de uma história em que os animais surgem humanizados: comportam-se como pessoas (uns são trabalhadores, outros são inteligentes, outros vaidosos, outros preguiçosos…). A identificação dos leitores com as personagens sai, ainda, fortalecida pelo facto de os animais vestirem roupa. A moralidade que reveste a história passa para o entendimento da criança/leitor de forma discreta mas eficiente. “A ratita Tita” (7,98 euros) retrata as vantagens da entreajuda.
Também ressalvando a importância da entreajuda, do espírito de união e do respeito pelas diferenças, eis “A Pulga Salta-Pocinhas e os Grãos de Areia” (7,49 euros), de Margarida Damião Ferreira. Editado pela Presença, este é um livro com um enredo consistente, ideal para crianças que já apreciem a leitura.
Mas, se a pulga Salta-Pocinhas tem diariamente uma missão muito especial – a de ser mensageira dos grãos de areia –, também “Faísca, o agente especial” acredita que lhe está reservada uma grande missão. Este livro (8,40 euros), de Anabela de Saint-Maurice (Ambar), relata os pensamentos de um perdigueiro português e, através deles, aborda a temática da partilha e, até, dos afectos. Se é certo que a criança imagina que os animais também podem ter sentimentos como os seus, esta história não defrauda as suas expectativas.
Quanto mais novas são as crianças/leitores, menor deve ser o texto e mais valorizada deve ser a componente visual - por forma a remediar a dificuldade de concentração. “Faísca, o agente especial” atende a essa necessidade, porém, nesta obra as tradicionais ilustrações são substituídas por fotografias (de Gonçalo Rosa da Silva).
Os livros ilustrados dão à criança o prazer do jogo visual das formas e das cores. “A Galinha dos Ovos de Ouro” (1,74 euros), editado pela Papa-Letras, é exemplo dessa atenção privilegiada à cor. Da colecção “Mini Contos Clássicos”, este conto, reescrito por Margarida Braga, é um entre os muitos que ficam imortalizados na memória de gerações, pela força, curiosidade ou singularidade de protagonistas do reino animal.
Em “A baleia constipada e outras histórias”, de Marita Ferreira, (Campo das Letras, 7,98 euros) distintos animais – um galo, uma baleia, uma cegonha, um elefante, uma gata, uma jacaré... – surgem a par de alguns objectos animados – uns sapatos, uma nuvem, um bolo, um espantalho... indo, assim, ao encontro da curiosidade evidente dos mais novos no que diz respeito à natureza, aos animais e a tudo o que os rodeia; e despertando/alimentando também a sua criatividade.
No livro “A cabra-cabrita”, Flor Campino confere pensamento humano, sentimentos e linguagem, aos animais, como se estes fossem pessoas. Conta a aventura de uma cabrinha que anseia por liberdade e que, farta de estar fechada, se aventura na montanha. Na caminhada cruza-se com muitos outros animais – a borboleta, o coelho, o ouriço, a lagartixa, o esquilo, o melro, o cuco e o mocho – que a avisam dos perigos que a serra encerra. Mas, apesar da sua imprudência, pois menosprezou os perigos para que havia sido alertada, a história tem um final feliz. Um caçador aparece e resgata a cabrinha e, não obstante ter disparado a caçadeira, o lobo não morre, “desaparece na noite a uivar” – o que exemplifica a tendência para evitar o confronto do jovem leitor com a eventual morte do animal. A percepção de que é sábia a decisão de não descurar os conselhos dos mais experientes é a moral a retirar de “A cabra-cabrita” (8 euros), com chancela das Edições Afrontamento.
A personagem do lobo é, aliás, uma figura deveras requisitada para as histórias infantis.
E, se em histórias como “A ratita Tita” ele não é, afinal, tão mau quanto se possa pensar, normalmente o lobo encarna a figura de vilão, como acontece em “A cabra-cabrita” ou em “Um Lobo pela Trela” (11,90 euros), de Guido Visconti, editado pela Livros Horizonte. O agricultor Osvaldo tem uma tarefa complicada: levar à feira uma couve, uma ovelha que gosta de couves e um lobo que gosta de ovelhas. A missão, após alguns percalços, acaba por ser superada com êxito. Este livro tem a interessante particularidade de desafiar os leitores para a resolução de duas hipotéticas situações. Esta opção, para além de conseguir reter a atenção da criança, garante a sua simpatia por um livro que espera contar com a sua ajuda.